A Evolução da Espécie e as Doenças do Homem Moderno


 Estudos a respeito da biologia evolutiva da espécie humana tem sido muito importantes para se compreender a origem das principais doenças que acometem o homem moderno. Muitas das doenças comuns de hoje e que não afetavam tanto nossos antepassados – como as doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e Alzheimer – podem ter relação com um descompasso entre a evolução do corpo humano e a evolução cultural. Até o risco de depressão está relacionado com esse processo evolutivo


Quando se fala em evolução da espécie humana muita gente torce o nariz: " Lá vem de novo aquele papo de que o homem descende do macaco!" Provavelmente essa a primeira reação daquelas pessoas que não tem um certo conhecimento sobre a importância dos estudos evolutivos e procura refutar qualquer coisa relacionada ao tema. O que muita gente não sabe é que os estudos a respeito da biologia evolutiva da espécie humana tem sido muito importantes para se compreender a origem das principais doenças que acometem o homem moderno. 
E quem falou isso entende bem do assunto. Foi o pesquisador Daniel Lieberman, diretor do Departamento de Biologia Evolutiva Humana da Universidade de Harvard, durante o 1º Fórum Medicina do Amanhã, evento realizado em setembro de 2014 no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. 
Segundo Lieberman," Entender como o corpo humano evoluiu ao longo de milhares de anos pode ajudar a entender as doenças que mais afetam a população hoje e pensar em estratégias para preveni-las e tratá-las." E acrescenta: "Muitas das doenças comuns de hoje e que não afetavam tanto nossos antepassados – como as doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e Alzheimer – podem ter relação com um descompasso entre a evolução do corpo humano e a evolução cultural. Lieberman diz que, apesar de o corpo humano continuar evoluindo e se adaptando, isso ocorre de forma muito mais lenta do que as mudanças ambientais e culturais."
Até o risco de depressão está relacionado com esse processo evolutivo. Um estudo publicado recentemente da revista Science e apresentado no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) revela uma forte associação entre variações genéticas herdadas dos antigos neandertais com a depressão. 
"Os neandertais viveram até cerca de 40 mil anos na Europa, antes de serem extintos. Há 50 mil anos, os humanos modernos migraram da África, se misturando aos neandertais." De acordo com John Capra, principal autor do artigo, “Nos últimos 10 anos, tivemos uma revolução na forma de ler o DNA de fósseis antigos, e isso tem nos revelado coisas incríveis sobre a história da evolução humana. Uma das mais surpreendentes é que o homem moderno e o neandertal se miscigenaram, e ainda hoje podemos detectar as consequências desse cruzamento no DNA de algumas pessoas”,
Pesquisadores da Universidade de Vanderbilt nos Estados Unidos, responsáveis pelo estudo em questão, cruzaram os registros médicos de 128 mil pessoas e fizeram a comparação dessas informações com o mapeamento do DNA do neandertal, detectando quais são os genes que o homem moderno herdou da espécie extinta e de que forma eles afetam o funcionamento do organismo.
Os pesquisadores também descobriram influência neandertal no metabolismo (nível de gasto calórico e aproveitamento de nutrientes), em infecções do trato respiratório, na formação de placas coronarianas, em distúrbios do trato urinário e em uma condição sanguínea chamada hipercoagulação, quando o sangue coagula mais rapidamente que o normal. 
Mas este cruzamento do Homo sapiens com os neandertais também tem o seu lado positivo. Pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, sediado em Leipzig, na Alemanha, e dos institutos franceses CNRS e Pasteur, de Paris, afirmam ter comprovado que os genes neandertais reforçaram o sistema imunológico dos homo sapiens, protegendo-os contra infecções. Ao mesmo tempo, no entanto, essa herança pode ter aumentado a sensibilidade humana a alergias.
"Os pesquisadores descobriram que certos genes de defesa da família dos chamados receptores do tipo Toll (TLR, sigla de toll-like receptors) têm maior frequência de neandertal do que outras partes do genoma humano. Os receptores TLR1, TLR6 e TLR10 atuam no sistema de defesa imunológica. Este genes TLR podem combater componentes de bactérias, fungos e parasitas.
Os cientistas ressaltaram, entretanto, que não esclareceram ainda qual o exato papel da herança deixada pelos neandertais na saúde do homem moderno."
"Acreditamos que houve uma fase em que era vantagem possuir essas variantes neandertal", declarou o pesquisador Michael Dannemann, do Instituto Max Planck. "Os humanos podem, assim, ter obtido melhores defesas contra doenças.
Por outro lado, também podem ter tido aumentada sua sensibilidade a alergias, pois uma atividade demasiado elevada destes genes pode, segundo Dannemann, também levar a respostas imunes alteradas sob influências ambientais antes inofensivas. "Isso é encontrado até hoje no ser humano. Mas se isso ainda continua sendo uma vantagem, desvantagem ou se é completamente indiferente, é algo que não sabemos", pondera o cientista.
Além da herança dos neandertais, um estudo publicado este mês na Current Biology destaca a influencia do patrimônio genético dos denisovanos em nosso DNA.
Uma equipe de pesquisa da Faculdade de Medicina de Harvard / Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), Estados Unidos, elaborou um mapa utilizando genômica comparativa para fazer previsões sobre onde podem estar havendo influências dos genes neandertais e denisovanos na biologia humana moderna. A análise também sugere que os homens modernos cruzaram com os denisovanos por cerca de 100 gerações após o seu encontro com os neandertais.
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