Nem Sempre o Sorriso Significa Alegria

Um estudo realizado em aldeias de Papua Nova Guiné sugere que as expressões faciais das emoções não são universais. Nas ilhas Trobriand, os pesquisadores descobriram que o sorriso não está relacionado com alegria. Nesta localidade, o sorriso é interpretado como um convite social, uma magia da atração. O estudo concluiu que as expressões faciais são instrumentos para a interação social e não simplesmente a representação de uma emoção básica interna

Uma equipe de especialistas da Universidade Autônoma de Madri observou em algumas aldeias das Ilhas Trobriand, localizadas na Papua Nova Guiné, no noroeste da Melanésia, que o sorriso não está associado com a expressão da alegria. Contrariando a teoria vigente na comunidade científica atual de que as emoções não são determinadas pela cultura e sim que possuem um componente biológico, os pesquisadores espanhóis concluíram que as expressões faciais, como o sorriso, por exemplo, são instrumentos para a interação social e não simplesmente a representação de uma emoção básica interna.
De acordo com o psicólogo estadunidense e assessor do filme Divertida-Mente (Inside Out) da Disney (2015), Paul Ekman, existem 5 emoções cujos gestos seriam reconhecidos por qualquer um dos 7.400 milhões de habitantes da Terra: alegria, tristeza, raiva, medo e nojo. Esse o resumo da chamada Tese da Universalidade. 
As ilhas Trobriand são um arquipélago de atóis de coral, sem eletricidade ou água corrente. Seus habitantes vivem da pesca e da agricultura rudimentar. O psicólogo Carlos Crivelli, o seu colega Fernández Dols e o antropólogo Sergio Jarillo , do Museu de História Natural de Nova York, mostraram a 68 crianças e adolescentes das ilhas seis fotografias com expressões faciais de alegria, tristeza, raiva, medo e desgosto, além de uma face neutra. Eles fizeram o mesmo com 113 crianças em Madri.
Em Trobriand, apenas 58% das crianças associaram sorriso com alegria. 46% acertaram a expressão de tristeza. 31%, o medo. 25% o desgosto. E apenas 7% conseguiram associar a raiva com um rosto carrancudo. Em Matemo, uma ilha perdida de Moçambique, os pesquisadores obtiveram resultados semelhantes. Em Madri, a grande maioria dos participantes relacionaram todas as emoções básicas com as suas alegadas expressões faciais universais. Os resultados do estudo foram publicados no Journal of Experimental Psychology General, da American Psychological Association.
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