Onde Estão os Insetos da Sua Infância?

Há quanto tempo você não vê um gafanhoto? Qual foi a última vez que você ouviu o cri-cri dos grilos da sua varanda? Ou ainda, quando foi que você viu um vaga-lume durante uma caminhada noturna por uma estrada rural? E as joaninhas, cadê? 
Segundo o entomólogo Juan José Presa, professor de Zoologia da Universidade de Múrcia (Espanha), os pesquisadores têm percebido o mesmo quando saem a campo para estudar os insetos. O declínio na quantidade de praticamente todos os insetos é brutal A sensação de estar perdendo essa fauna que tantas gerações associam à sua infância é uma realidade. Juntamente com esses animais também estão desaparecendo elementos básicos para o sustento de muitos ecossistemas dos quais todos os seres vivos dependem.

Há quanto tempo você não vê um gafanhoto no seu passeio de domingo no campo? Qual foi a última vez que você ouviu o cri-cri dos grilos da sua varanda? Ou ainda, quando foi que você viu um vaga-lume durante uma caminhada noturna por uma estrada rural? E as joaninhas, cadê?
Segundo o entomólogo Juan José Presa, professor de Zoologia da Universidade de Múrcia (Espanha) e co-autor de um dos muitos relatórios e estudos recentes sobre o declínio dos artrópodes, os pesquisadores têm percebido o mesmo quando saem a campo para estudar os insetos. O declínio na quantidade de praticamente todos os insetos é brutal A sensação de estar perdendo essa fauna que tantas gerações associam à sua infância é uma realidade. O que é pior, juntamente com esses animais também estão desaparecendo elementos básicos para o sustento de muitos ecossistemas dos quais todos os seres vivos dependem.
Os pesquisadores estão conscientes do declínio geral, apesar de reconhecer, como o resto da comunidade científica, que é muito difícil estabelecer dados mais precisos sobre o declínio das populações por variedade de espécies, distribuição e número de indivíduos.
Um estudo de cooperação entre a União Européia e a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) no início do ano, destaca que quase um terço das espécies de ortópteros (gafanhotos, grilos e cigarras, entre outros) ) estão ameaçadas, algumas em perigo de extinção.
Wolfgang Wägele, diretor do Leibniz Institute for Animal Biodiversity (Alemanha), comenta na revista Science sobre o "fenômeno do pára-brisa". Segundo os estudos de Wägele e seus colaboradores, os motoristas atualmente passam menos tempo limpando seus carros dos inúmeros insetos que normalmente colidiam contra vários pontos de seus carros. 
Na mesma matéria da Science também encontramos o relato do caso da Sociedade Entomológica de Krefeld, na Alemanha, cujas visitas ao campo revelaram que a biomassa de insetos que caiam presos em diferentes métodos de captura vem diminuindo em 80% desde 1989. 
Após mais de duas décadas de trabalho de campo, pesquisadores do Centro de Pesquisas Ecológicas e Aplicações Florestais e do Museu de Ciência Natural de Granollers (Barcelona) concluíram que aproximadamente três quartos das espécies de borboletas na Catalunha, e isso pode ser extrapolado para o resto da Espanha, estão em declínio alarmante.
Ignacio Ribera, , especialista em entomofauna de habitats subterrâneos e aquáticos, menciona duas outras espécies presentes na infância de muitas gerações que desapareceram na Espanha: libélulas e sapateiras, estas últimas são hemípteros de pernas longas que deslizam sobre a superfície da água. Sempre que canalizam um rio ou secam uma lagoa, dizem os pesquisadores, esses tipos de insetos, entre outros, desaparecem. Há dez anos, a UICN advertia que as libélulas ameaçadas na bacia do Mediterrâneo precisavam de medidas urgentes para melhorar seu status.
A transformação e destruição do habitat é sistematicamente indicada em todos os estudos como a principal causa dessa hecatombe que afeta muito diretamente às pessoas. O efeito de certos inseticidas (neonicotinoides) sobre as populações de abelhas, insetos responsáveis ​​pela polinização de muitas plantas, incluindo 30% daquelas que servem de alimento para o consumo humano, é um exemplo emblemático. No geral, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) , "cerca de 84% das culturas para consumo humano precisam de abelhas ou outros insetos para polinizá-las e aumentar o seu rendimento e qualidade.
Derrubar mata nativa para implantar lavoura significa, sempre, reduzir a complexidade da natureza, abrindo caminho para desequilíbrios ecológicos. O uso indiscriminado de agrotóxicos aniquila os inimigos naturais, reduzindo ainda mais a estabilidade do sistema. A cada ciclo da cultura, piora a situação. Besouros, lagartas, percevejos, insetos de toda sorte, livres de seus predadores, atacam com força total as lavouras. 
O caso dos pulgões tornou-se exemplar. E pedagógico. O principal inimigo natural dos afídeos é a joaninha, bichinho famoso pela formosura de sua colorida carapaça. Cada joaninha devora até 70 pulgões por dia, e essa terrível batalha pela vida sempre manteve o equilíbrio das espécies. Até que chegaram a agricultura e os primeiros pesticidas. Estes, pulverizados sobre as plantações, matavam tudo que é inseto. Acontece que os insetos-praga são menos específicos que seus inimigos naturais. Quer dizer, a joaninha não vive sem o pulgão, seu alimento predileto. Mas o pulgão se vira bem sugando plantas variadas. Sem o broto da laranjeira, ataca a mangueira, o capim, o feijão, o que vier. 
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