Star Wars À Luz da Ciência

O astrofísico francês Roland Lehoucq usa a saga hollywoodiana Star Wars para levar a física atual ao público em geral. Em seu livro Faire des science avec Star Wars, o pesquisador revela o que é e o que não é ficção em Guerra nas Estrelas. Embora os criadores tenham se inspirado na ciência e no mundo atual em muitos aspectos, obviamente que a saga não é um documentário científico. O objetivo de Lehoucq não é dizer que esta série de filmes é terrível porque a ciência é maltratada, mas que devemos analisar e compreender os elementos científicos que podem surgir, levando em consideração nosso conhecimento atual. 

Desde o lançamento do primeiro filme Episódio IV - Uma Nova Esperança há 40 anos, a saga Star Wars (Guerra nas Estrelas) vem cativando milhões de pessoas de todas as idades. Os bilhões de dólares arrecadados em quatro décadas pelos oito filmes, incluindo o spin-off Rogue One lançado em 2016, são apenas um reflexo da paixão suscitada pelas histórias que se passam em uma galáxia muito, muito distante e, acima de tudo, fictícia. 
Especialista no assunto, o astrofísico francês Roland Lehoucq usa a saga hollywoodiana como pretexto para levar a física atual ao público em geral. Em seu livro Faire des science avec Star Wars (reeditado em outubro de 2015), o pesquisador da Comissão de Energia Atômica e Energias Alternativas da França, nos revela o que é e o que não é ficção em Star Wars. Seu objetivo não é mais do que aproveitar o interesse que o enredo da saga suscita para atrair o público para a física atual. 
Embora os criadores tenham se inspirado na ciência e no mundo atual em muitos aspectos, obviamente que a saga não é um documentário científico. O objetivo de Lehoucq não é dizer que esta série de filmes é terrível porque a ciência é maltratada, mas que devemos analisar e compreender os elementos científicos que podem surgir, levando em consideração nosso conhecimento atual. 
Separei abaixo alguns elementos presentes nos filmes e as considerações de Lehoucq sobre eles e como são vistos à luz da física:
1- A Força: Segundo Lehoucq, em um dos filmes da saga, o Mestre Jedi Obi-Wan Kenobi define a Força como sendo "uma energia criada por todos os seres vivos que nos rodeia e penetra toda a galáxia". Pensando assim, a Força poderia ser a gravitação, pois é o que une as estrelas e gás em uma galáxia. É um campo de energia que nos rodeia e nos penetra. Isso faria sentido se também lembramos que Luke Skywalker, ao treinar no planeta Dagobah, pega objetos, pedras e até mesmo o robô R2D2, sem tocá-lo, apenas com o olhar. É como se ele pudesse manipular a gravidade. Mas, por outro lado, quando vemos algumas manifestações da Força, como quando o Imperador quer matar Luke, saem os raios dos dedos e isso corresponde à força eletromagnética. Mas tanto isso quanto a gravitação são forças diferentes para os físicos terrestres atuais, por isso não funciona. A conclusão é que não sabemos o que é a Força. É algo puramente imaginário.
2- Sabre de Luz: Como você pode ver nos filmes, a espada de laser é uma haste luminosa de cores diferentes e um comprimento fixo. Você não pode lidar com a luz daquele jeito, porque um raio de luz se propaga em linha reta até que algo o interrompa. Neste caso, é um laser, que também é um feixe de luz monocromática muito preciso que se propaga em apenas uma direção. Além disso, a luz não é algo material; então, se dois feixes de luz forem cruzados, não podem se tocar ou se bloquear. Então, se pudéssemos fazer algo semelhante, brilhante e capaz de perfurar paredes, por exemplo, seria como uma tocha de plasma usada para derreter ferro ou para verificar o escudo térmico de veículos espaciais quando entram na atmosfera. Mas eles apenas medem entre 15 e 20 cm, e aquecem até 10 mil graus são muito brilhantes. Poderíamos alcançar esteticamente algo parecido com a espada, mas o problema continuaria sendo seu consumo.
Nenhum Jedi nos diz no cinema quantos watts tem uma espada laser. Mas, olhando os filmes com olhos de físico, você encontra cenas que podem dar pistas e determinar a potência. E assim os físicos estimam que a potência é de cerca de mil megawatts. É a mesma potência de um reator nuclear. E isso é muito em apenas uma espada.
3- Exoplanetas: Os filmes da Star Wars foram produzidos em um momento em que não se tinha certeza, embora houvesse grandes chances, que havia outros planetas fora do nosso sistema solar. Desde 1995, começaram a detectá-los e o processo está indo tão rápido que agora já são encontrados regularmente - eles já passam de 3.500. Até sistemas solares com várias estrelas já foram identificados, e até um deles tem três estrelas . Embora Tatooine exista apenas nos filmes, o fato de um exoplaneta ter dois sóis é totalmente possível. Os outros planetas que vemos em Star Wars só têm um ecossistema (desertos, lava, oceanos, árvores ou gelo) e são muito simples. Mesmo observando Plutão, que é um astro morto sem vida, temos uma grande variedade geológica. Parece que os planetas da saga foram feitos assim para tornar mais fácil para os espectadores. Mas não é muito correto que um planeta seja tão uniforme.
4- A Estrela da Morte: Fazendo cálculos, pode-se estimar que a Estrela da Morte mede um pouco menos de 500 km de diâmetro, ou seja, mais ou menos do mesmo tamanho que o segundo maior asteroide do sistema solar, Vesta . É uma estrutura enorme, por isso construir isso exigiria um esforço titânico; seria necessário ter os recursos materiais, energéticos e humanos, e fazê-lo no espaço. A energia necessária seria descomunal, muito superior a que a humanidade dispõe. Nem chega a ser um problema econômico. Os seres humanos conseguiram construir pirâmides, um túnel sob o Canal da Mancha, a Estação Espacial Internacional no espaço (que pesa 400 toneladas), mas a Estrela da Morte pesa bilhões de toneladas.
5- Viagens Espaciais Super Rápidas: De acordo com o nosso conhecimento atual, a velocidade da luz é intransponível. Não podemos ir mais rápido. A essa velocidade, leva quatro anos e meio para viajar para a estrela mais próxima. Então, nos filmes de ficção científica, há sempre esse problema. Eles não podem passar tantos anos viajando. A solução que eles consideram para justificar a viagem rápida é que eles vão mais rápido que a luz (violando a lei da física) ou decidem que há um atalho em um espaço paralelo diferente do nosso onde o nave entra, viaja a uma pequena distância e reaparece no universo real a uma distância muito distante do ponto de partida. Esta é a ideia do hiperespaço que foi inventada, mas não é científica. Outra coisa é que nós deformamos nosso espaço pela presença da matéria, como Einstein explica na Teoria Gravitacional
6- Veículos Voadores: Em Star Wars vemos veículos que levitam acima do solo, mesmo quando o motor está desligado. Para um físico isso evoca a antigravidade, isto é, ser capaz de criar um campo de força que se opõe à gravidade de um planeta, e também não é fácil desenvolver. Portanto, são necessárias grandes densidades de massa e energia que estão fora de nossas capacidades técnicas atuais.
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