2018: O Ano Internacional dos Camelídeos

A FAO (sigla em inglês para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) escolheu 2018 como o Ano Internacional dos Camelídeos. A família dos Camelídeos - família de animais artiodáctilos a qual pertencem os camelos, os dromedários, as lhamas, as vicunhas, as alpacas, etc-, além de ser um importante símbolo cultural, vem fornecendo alimento, abrigo e transporte para a humanidade há tempos; e até hoje ainda constitui o principal meio de subsistência para milhões de pessoas em 90 países. Cientistas da Europa e da Índia estão pesquisando formas de produção em larga escala do leite de camela, que possui valores nutricionais superiores em muitos aspectos aos de outros leites comercialmente disponíveis


A família dos Camelídeos - família de animais artiodáctilos a qual pertencem os camelos, os dromedários, as lhamas, as vicunhas, as alpacas, etc - foi escolhida pela FAO (sigla em inglês para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) como o representantes deste ano que se inicia. Além de serem um importante símbolo cultural, os camelídeos são animais robustos, longevos e prósperos, que durante muito tempo vêm fornecendo comida, abrigo e transporte para a humanidade; e até hoje ainda constituem o principal meio de subsistência para milhões de pessoas em 90 países.
Os camelos são animais muito bem adaptados à vida no desértica, com características que lhes permitem desafiar as condições mais adversas dos meios áridos, o vento e a areia. Tornaram-se famosos por poderem passar vários dias sem beber água. Isso é possível pelo fato de, quando se alimentam de plantas verdes, conseguirem extrair delas o líquido necessário e produzir grande quantidade de gordura, que armazenam na corcova. Quando as condições não são favoráveis e escasseiam as plantas e a bebida, eles metabolizam a gordura armazenada, assim como outros produtos orgânicos que poderão formar água pela reação com o oxigênio da respiração. O camelo pode perder até um quarto do seu peso; depois precisa comer um pouco e beber até se saciar (pode beber até 100 litros de uma vez) para que o organismo produza novamente gordura, recuperando o peso normal em dois ou três dias.
Outras características morfológicas e fisiológicas permitem que os camelos consigam suportar as condições inóspitas dos desertos. Podemos por exemplo citar os pêlos longos e densos que possuem. Estes pêlos atuam como uma barreira na perda de calor e consequentemente de água por sudorese. Um estudo demonstrou que camelos com os pelos cortados com uma altura menor que 1cm suaram cerca de 3 litros por cada 100 kg de peso corporal, enquanto camelos com pelos normais (de 3 até 14 cm) suaram cerca de 2 litros por 100 kg de peso. 
Além disso, os pêlos em contato com o ar formam uma grande barreira que diminuem a quantidade de calor que entra e sai do corpo, assim, com a temperatura corporal entorno dos 40°C próxima da temperatura ambiente, menor é a quantidade de água perdida por evaporação.
Suas pernas alongadas também permitem que o restante do corpo e os órgãos fiquem distantes do solo, evitando um superaquecimento. Suas narinas grandes auxiliam na perda de calor por evaporação no momento da expiração, quando o animal começa a ter sua temperatura corporal mais elevada que o normal.
Os camélideos habitam hoje a África, Ásia e América do Sul, mas cada uma das espécies que existem atualmente teve sua origem na América do Norte há 40 milhões de anos. Durante sua evolução, as diferentes famílias de camélidos foram dispersas através do Estreito de Behring para os lugares onde agora são conhecidos: América do Sul, Ásia e África
Lá eles evoluíram para formar a tribo Camelini que compõe o moderno camelo bactriano com duas corcovas da Ásia, e o dromedário ou o camelo com uma corcova, que se encontra no Oriente Próximo e na África do Norte. Os camélideos também migraram para o sul através do Istmo do Panamá e se expandiram para a América do Sul, onde formaram a tribo Lamini e desapareceram do norte do continente. Das quatro espécies que hoje se encontram na América do Sul, duas são animais domésticos (lhama e alpaca) e as outras duas animais de selvagem (guanaco e vicunha). O seu habitat é a cordilheira andina e o seu alimento são as plantas silvestres. Como a do camelo, a domesticidade dos lhamas e alpacas não é absoluta. Embora os humanos se sirvam deles, não necessitam de os alimentar e dar abrigo.
Na ilha de Fuerteventura, onde existe a maior concentração de camelos na Europa com mais de 300 animais, um grupo de cientistas da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e da Universidade King Saud da Arábia Saudita está conduzindo um projeto piloto sobre leite de camela, que possui valores nutricionais superiores em muitos aspectos aos de outros leites comercialmente disponíveis.
Por enquanto, o estudo pretende analisar a viabilidade, a composição química e as propriedades benéficas deste alimento com um alto teor de vitaminas e baixos níveis de gordura, antes do lançamento em produção em escala industrial. O leite é processado para produzir uma grande variedade de produtos, desde queijos até sorvetes, mas tradicionalmente tem sido usado em diferentes regiões do mundo como um adjuvante natural para o manejo de uma variedade de doenças humanas. 
Em um estudo publicado na revista Agricultural Research , uma equipe de cientistas indianos também demonstra que uma raça de dromedário ( Camelus dromedarius ), originalmente da Índia, possui um bom potencial genético para produzir leite. Comparado com outro tipo de leite, o leite de camela também é baixo em teor de gordura e rico em ácidos graxos não saturados e de cadeia longa. As proteínas são ricas em lactoferrina e lisozimas, mas deficiente em beta-lactoglobulina. Tem uma maior porcentagem de sais minerais totais, cálcio livre, proteínas protetoras, vitamina C, ferro, cobre e zinco. 
As propriedades físico-químicas do leite de camela também são únicas e úteis para o processamento de alimentos. A vida útil do leite cru é de 8-9 horas, o que pode ser prolongado até 18-20 horas, ativando o sistema lactoperoxidase da camela. Sua estabilidade térmica é a mais alta em pH 6,8 e fermenta relativamente de modo mais lento em comparação com o leite de outros bovinos.
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