Projeto Biogenoma da Terra: Sequenciamento Genético da Biodiversidade do Planeta

A fim de preencher a enorme lacuna no conhecimento e explorar o potencial científico, econômico, social e ambiental da biodiversidade eucariótica terrestre, um consórcio internacional pretende sequenciar, catalogar e caracterizar o genoma de todas as espécies eucarióticas da Terra ao longo de 10 anos. Os objetivos e os desafios da iniciativa, denominada Projeto BioGenoma da Terra (EBP, na sigla em inglês), foram descritos em um artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). No Brasil, o projeto terá a colaboração da FAPESP.


Um consórcio internacional de cientistas quer sequenciar, catalogar e analisar os genomas de todas as espécies eucarióticas conhecidas na Terra; isto é, todos os animais e plantas, exceto bactérias e arqueas. O Projeto BioGenoma da Terra (Earth Biogenome Project) tem um objetivo: preservar a biodiversidade do planeta. Até agora, os cientistas sequenciaram menos de 15.000 espécies, a maioria delas microrganismos.
A proposta, descrita em um documento da Proceedings of National Academy of Sciences, exigirá a cooperação de governos, cientistas, cidadãos e estudantes de todo o mundo. Segundo Gene Robinson, líder da iniciativa e professor de entomologia e diretor do Instituto Carl R. Woese de Biologia Genômica da Universidade de Illinois (EUA), a tarefa pode ser concluída em dez anos com um orçamento de US $ 4.700 milhões (cerca de 3.800 milhões de euros) e isso exigirá uma capacidade de armazenamento digital de 200 petabytes. Os autores comparam com o Projeto Genoma Humano, uma iniciativa de pesquisa científica internacional que decorreu de 1990 a 2006, envolvendo 47.000 pessoas e custando aproximadamente US $ 4,8 bilhões em dólares de hoje.
Até agora, os cientistas sequenciaram parcialmente ou completamente menos de 15.000 espécies, a maioria desses micróbios, mas o custo do sequenciamento do genoma caiu para cerca de mil dólares por um genoma dos vertebrados de médio porte e espera-se continue reduzindo. Além disso, o processo de coleta e análise de dados é cada vez mais acelerado por meio de diferentes iniciativas. 
O projeto é considerado um dos mais ambiciosos da história da biologia e, na avaliação de seus coordenadores, só será possível realizá-lo agora em razão dos avanços na tecnologia de sequenciamento genômico, computação de alto desempenho, armazenamento de dados e bioinformática e da queda de custo do sequenciamento de genoma. E, além disso, da valorização dos biobancos – locais que armazenam a biodiversidade de forma catalogada, como museus, herbários e centros de coleção de culturas.
"O Projeto BioGenoma da Terra fará uso dos recursos e instituições existentes cuja missão é conservar a biodiversidade do mundo", diz Robinson. Um exemplo são as coleções de jardins botânicos do mundo que contêm mais de um terço de todas as espécies de plantas. 
O projeto também apoiará e promoverá protocolos internacionais para armazenamento e troca de dados. Um conselho de coordenação com membros de África, Austrália, Brasil, Canadá, China, União Europeia e os Estados Unidos vão liderar uma rede global de parceiros e incluirá representantes de diversos projetos atuais de genômica em grande escala como  o Global Genome Biodiversity Network, o Vertebrate Genomes Project, o Plant Genome Projects e o 5000 Insect Genomes Project.
No Brasil, projeto terá participação da FAPESP no âmbito dos programas de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA) e de Pesquisa em eScience e Data Science.
Segundo Robinson, o maior legado deste projeto será uma biblioteca de vida digital e completa que guiará as descobertas para as gerações futuras.
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