Taxonomia: Da Escola Para o Mundo

Alunos do terceiro ano do ensino fundamental de uma escola pública de Florianópolis (SC) entraram para a história mundial da ciência. Foram eles os responsáveis por dar o nome científico de inseto descoberto no Brasil, o Aedoktrius adotivae. A missão de batizar a espécie partiu do biólogo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Luiz Carlos Pinho, que havia sido convidado pela Escola Adotiva Liberato Valentim, por meio da UFSC, para orientar as crianças sobre zoologia. 

A Escola Básica Municipal de Florianópolis, Adotiva Liberato Valentim foi homenageada com o nome de um inseto descoberto na Amazônia pelo professor Luiz Carlos Pinho, do Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O animal, batizado de “Aedokritus adotivae” em homenagem à escola catarinense, é um inseto bem menor que os outros de sua espécie. Ele não suga sangue e é parente próximo de insetos que são bem comuns nas cidades, formando grandes enxames ao entardecer. A descoberta foi publicada na Zootaxa, a revista mais famosa do mundo sobre taxonomia, ciência que busca descrever, identificar e classificar os seres vivos. No periódico, o professor relata todo o caminho percorrido: da descoberta até o batismo do animal.
Segundo informações divulgadas no Facebook da Secretaria de Educação de Florianópolis, tudo começou quando Luiz Carlos Pinho foi convidado pela escola para assessorar uma turma de terceiro ano do ensino fundamental sobre “Novas espécies de animais na Amazônia em 2013”. Anualmente, todas as classes do estabelecimento trabalham um tema dentro do projeto global “Aprender a conhecer, pesquisa de corpo inteiro”.
A ideia é que um especialista ajude a criançada, que já possui igualmente dois profissionais orientadores da escola a responder as dúvidas que motivaram a escolha do tema, como “Qual a rotina de um cientista na floresta?”, “As novas espécies evoluem de outras?” e “Como uma nova espécie é identificada pelos cientistas?”.
No processo de assessoramento do trabalho, o professor tinha descoberto e estava descrevendo um novo inseto. Assim, presenteou as crianças com a oportunidade de escolherem um nome científico para ele. Obedecendo a todas as características necessárias, a turma chegou a três nomes: “Aedokritus adotivae”, “Aedokritus amazonicus” e “Aedokritus plumosus”. No dia da Feira de Ciências da escola, a comunidade pôde votar e o selecionado foi o nome em homenagem à unidade de ensino.
Segundo o professor Pinho, não foi ele quem coletou o animal. “O inseto foi coletado em 1972 e estava no museu de zoologia de São Paulo desde então. Nenhum especialista no grupo havia tentado identificá-lo.”
No artigo, ele escreve que popularizar a entomologia, estudo dos insetos, entre as crianças pode não ser tão difícil, já que elas são naturalmente fascinadas pela natureza desde muito jovens. De acordo com o professor, as crianças da Escola Adotiva Liberato Valentim são taxonomistas natos, ou seja, biólogos, e envolvê-las no processo foi uma experiência que ele recomenda. “Ao mesmo tempo em que temos crianças fascinadas pela biodiversidade, temos os estudos sobre a biodiversidade majoritariamente sendo feito pela e para a comunidade científica. É possível aproximarmos esses públicos”, afirma.
O artigo do professor Luiz Carlos Pinho foi publicado na Zootaxa no dia 23 de março, data de aniversário de Florianópolis. A revista científica é semanal e foi criada em 2001. Mais de 26 mil novas espécies já foram descritas no periódico.
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