De Olho nas Espécies Invasoras


Espécies exóticas invasoras são espécies ou qualquer parte delas (como sementes, por exemplo) capaz de gerar um indivíduo viável que, quando introduzidas em um novo ambiente, se reproduzem e se disseminam a ponto de dominá-lo. Elas então expulsam espécies nativas, alteram o funcionamento dos ecossistemas e causam danos à biodiversidade, à saúde humana, à economia ou a valores culturais.
No mundo, o exemplo mais marcante de danos causados por espécies invasoras é a introdução da perca do Rio Nilo no Lago Vitória (África), para criar mercado pesqueiro. As comunidades lacustres pescavam e se alimentavam de pequenos peixes, nativos e endêmicos ( que só tinham lá), que constituíam sua maior fonte de proteína. A perca comeu esses peixes até extingüir a maior parte das espécies ; sem alimento, passou a devorar a s próprias percas jovens, fazendo canibalismo. Esse processo impactou as populações humanas de duas formas: 1) por questão religiosa, as pessoas não queriam comer perca para não se tornarem canibais; 2) como a perca é grande, as comunidades não tinham infra-estrutura de barcos para capturá-las. Assim, as pessoas deixaram de pescar e de ter proteína em sua dieta. O impacto social e humano nesta região é imenso até hoje.
Depois disso, chegou ao Lago Vitória o aguapé, planta nativa da América do Sul e usada no mundo como planta ornamental. O aguapé cobriu a superfície do lago em até 70% e chegou a formar camadas de até um metro de espessura, impedindo a navegação. A planta foi contida parcialmente com controle biológico, mas está voltando a infestar o lago.
No Brasil, destaca-se o caso do capim annoni, introduzido no Rio Grande do Sul nos anos 1950. A expectativa de que fosse boa forrageira para o gado levou o fazendeiro Ernesto Annoni a produzir sementes e vendê-la, disseminando a espécie para diversas áreas gaúchas nas décadas seguintes. Resultado: atualmente este tipo de capim é encontrado pelas estradas da divisa com a Argentina até a Bahia e além, na BR-101. Por ser muito fibrosa, a espécie não dá ganho de peso ao gado, como o nosso capim nativo, acarretando enormes prejuízos na produção pastoril.
Cerca de 85% das espécies introduzidas vêm para uso econômico, em grande parte sem chegar a formar um mercado, mas sim formando problemas. Essa porcentagem só não é válida para espécies marinhas, que em gera lvêm por introdução acidental (água de lastro, como no caso do mexilhão dourado). Os especialistas dizem que erradicar uma espécie invasora é muito difícil, porém é possível quando sua presença é detectada cedo, quando a população é pequena e há uma ação rápida para removê-la. A erradicação de certas espécies , como peixes e outros animais aquáticos, é praticamente impossível, e por isso sua introdução precisa ser evitada. Recentemente tivemos o caso de proliferação de uma espécie exótica na Ilha Grande (RJ) e em todo o litoral sul fluminense. Trata-se do caramujo-gigante-africano, de nome científico Achatina fulica, o qual foi introduzido ilegalmente no país há cerca de 20 anos por um servidor da Secretaria de Agricultura do Paraná como uma alternativa econômica ao escargot (Helix aspersa) . Como não tem predadores naturais em nosso país, este caramujo tornou-se tão abundante nas matas e litorais brasileiros que a incineração dos bichos foi a única solução encontrada pelas autoridades de algumas cidades para combater o avanço desta temível espécie invasora, pois a mesma é hospedeira de espécies parasitas causadoras de doenças graves, como a meningite.
* No município do Rio de Janeiro, os pedidos de recolhimento de caramujos africanos à  Comlurb subiram para 312 em dezembro de 2010 e já atingiram 200 em janeiro deste ano, superando em apenas 11 dias a média mensal, que é de 175. No ano passado, a Comlurb recolheu 804.686 caramujos dessa espécie, que pode transmitir outras doenças,além da meningite já mencionada . O campeão de infestações foi Campo Grande, na zona oeste, com 91.174 casos. Proporcionalmente, o Engenho de Dentro (zona norte), bairro bem menor, teve maior concentração, com 60.537. A zona sul não está livre de caramujos africanos, porém. Em 12/01/2011, aequipe do jornal Destak flagrou em deles na rua Almirante Guilhem, no Leblon.

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