terça-feira, 21 de julho de 2009

Hiperatividade: Doença ou Falta de Educação?

Freqüentemente confundida com falta de educação, a hiperatividade, ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), afeta cerca de 4 milhões e pessoas- entre crianças e adultos -somente no Brasil.
Tendo como características básicas a falta de persistência em atividades que requeiram atenção, fazer várias coisas ao mesmo tempo sem concluir alguma delas e desorganização, a doença compromete o desempenho profissional, afetivo e familiar de seus
portadores. Mas atualmente ela já pode (e deve) ser tratada.
No mundo todo de 3% a 5% das crianças em idade escolar lutam contra os problemas de falta de atenção, impulsividade e hiperatividade. O problema, quando tratado, diminui na adolescência, mas há controvérsias quanto à persitência entre os adultos. Para alguns estudiosos, a proporção de crianças hiperativas que mantêm o distúrbio na idade adulta varia de 4% a 66%.
Agora, muita calma e atenção. Nem toda criança bagunceira, levada e desatenta é doente. Somente um exame clínico profundo, incluindo também suas condições de vida e sua história pessoal, permite a conclusão do diagnóstico. Em primeiro lugar, os sintomas precisam manifestar-se em dois ambientes distintos- geralmente em casa e na escola. E, dos comportamentos que caracterizam o problema, é necessário a observação de, no mínimo, 8 deles durante 6 meses seguidos.
O TDAH é um dos distúrbios menos conhecidos pelos profissionais da área de educação e até mesmo entre os da saúde, provocando a demora do diagnóstico e do tratamento. Embora as suas causas não sejam totalmente conhecidas, a influência genética é demonstrada por estudos com famílias portadoras do transtorno. Quase sempre o TDAH está associado a um risco significativamente maior de baixo desempenho escolar, repetência, expulsões e suspensões escolares, relações difíceis com familiares e com colegas, desenvolvimento de ansiedade, depressão, baixa auto-estima, problemas de conduta e deliqüência, experimentação e abuso de drogas, acidentes de carro e multas por excesso de velocidade.
É importante ressaltar que se trata de dois sintomas agregados: a hiperatividade propriamente dita e a impulsividade. A hiperatividade está ligada à motricidade, aos movimentos. A impulsividade se caracteriza pela impaciência, intempestividade- que se manifesta também em adolescentes e adultos. Há casos de predominância de apenas um dos sintomas, mas , na maioria das vezes, tanto a hiperatividade como o déficit de atenção se apresentam junto.
No Brasil existe um medicamento chamado metilfenidato, uma espécie de droga que estimula a ação inibitória sobre algumas áreas do sistema nervoso central, reduzindo paradoxalmente os 3 sintomas básicos do TDAH- desatenção, hiperatividade e impulsividade. De efeitos colaterais passageiros e suportáveis, como perda de sono, peso e dores de cabeça, este medicamento não cura a doença, apenas melhora os sintomas, controlando-a. No adulto, quando associado à psicoterapia, o medicamento ajuda a controlar a doença. Na criança, o tratamento é mais complexo e freqüentemente envolve uma equipe multidisciplinar, pois requer além do remédio também a aplicação de medidas pedagógicas e comportamentais.

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