Sensibilidade e Especificidade

Com qualquer tipo de teste ou exame clínico, existe um equilíbrio entre o grau de sensibilidade e a especificidade. A sensibilidade representa a frequencia com que o teste detectará o que está sendo testado. Assim, um teste com sensibilidade de 90% dará um resultado positivo em 90 das 100 pessoas  que efetivamente  apresentam o quadro que está sendo investigado. A especificidade representa a frequencia com que o resultado negativo está correto; ou seja, a frequencia com que quem não tem a doença ou condição recebe o resultado de teste correto. Um teste com especificidade de 90% terá um resultado negativo em 90 das 100 pessoas que não apresentam o quadro que está sendo investigado.
Na maioria dos casos, um teste que é mais sensível será menos específico e vice-versa. Em outras palavras, se você quiser descobrir todos os casos possíveis, a outra face da moeda é identificar de modo incorreto o maior número de pessoas possivelmente com algo que elas realmente não apresentam. Esse resultado é chamado de falso-positivo. Quando um teste informa incorretamente que alguém  não tem a doença quando de fato tem, o resultado é chamado de falso-negativo.
Interpretar a sensibilidade e a especificidade pode ser algo capcioso, em parte porque a interpretação de resultados não depende apenas da precisão do teste, mas também de a condição ser ou não comum. Considere a seguinte hipótese: em uma cidade com 1 milhão de habitantes, existe uma doença que infecta uma em cada 100 pessoas. Isso significa que existem, provavelmente, 10 mil pessoas na cidade com a doença.
Imagine  que você faça o teste para a doença com uma sensibilidade de 99% e uma especificidade de 98%. Parece muito bom, não é? O teste provavelmente identificará 9.900 das 10 mil pessoas com a doença. Por outro lado a especificidade de 98% significa que, a cada 100 pessoas saudáveis testadas, duas serão informadas incorretamente que podem estar com a doença. Como 10 mil pessoas apresentam a doença, isso significa que as 990 mil pessoas restantes na cidade são saudáveis. Nesse caso, então a especificidade de 98% por cento significa que quase 20 mil pessoas (2% das 990 mil) serão informadas de que seu teste é positivo para uma doença que realmente não possuem.
Em muitos casos, o limiar para declarar um teste "positivo" ou "negativo" pode ser ajustado para cima ou para baixo, conforme a maneira como o teste é realizado ou os resultados são interpretados. O limiar pode   ser baixo nos casos em que a doença  tenha consequencias graves e o seguimento de um teste de triagem é relativamente benigno (talvez apenas a repetição do primeiro teste, ou outro que talvez seja  ligeiramente mais demorado ou custe mais caro, mas não envolva risco físico algum para o paciente). Por outro lado, talvez você queria estabelecer um limite mais alto e, assim, deixar de fora alguns casos, se a doença  não for imediatamente perigosa ou se o seguimento do teste positivo for uma biópsia cirúrgica ou outro procedimento invasivo que você deseja evitar, se possível.
Não se sinta mal se as estatísticas confundirem você. A sensibilidade e a especificidade podem enganar muitos médicos também. Uma pesquisa descobriu que apenas um em cada 5 médicos interpreta corretamente o significado de um resultado positivo quando recebe os dados de sensibilidade e especificidade dos testes. 

Comentários

  1. Nossa. Comecei agora a estudar estatística para meu mestrado e seu texto foi ótimo. Obrigada!

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  2. Me ajudou muito a entender a diferença! Obrigada!

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  3. Muito boa a explicação fácil entendimento.

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