Plantas Medicinais: Use Com Cuidado

Parietaria officinalis (Parietária ou Fura-paredes), uma planta medicinal de uso geral. Curiosidade: se o nome de uma planta em latim inclui a palavra“officinalis” ou derivados desta, significa que ela é
usada na medicina
Ao longo da história, o avanço da ciência impulsionou a medicina convencional, ocasionando um declínio na terapia com com base nas plantas medicinais. Porém, em meados do século XX, houve uma retomada significativa no interesse pela fitoterapia, com reconhecimento  de suas potencialidades, fazendo com que, hoje a sabedoria popular e a ciência caminhem juntas. Em anos recentes, um número importante de pesquisas em instituições renomadas  foram publicadas sobre o assunto. A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que o emprego do extrato de algumas plantas no tratamento de doenças e na recuperação de pacientes é, em alguns casos, mais utilizada que a medicina  convencional.
Os benefícios que a fitoterapia e o uso de plantas medicinais podem trazer à saúde são, contudo, mal conhecidos da maioria da população, que têm dificuldades em diferenciar as principais espécies de plantas utilizadas nesse processo terapêutico. Com o objetivo de trazer o conhecimento científico para a sociedade, há 8 anos pesquisadores  da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em parceria com seus pares na Universidade Federal Fluminense (UFF), associaram o interesse pelas plantas medicinais e, juntos, criaram o projeto "Núcleo de Estudos  e Difusão de Plantas Medicinais e Tóxicas no Rio de Janeiro".
O grupo de cientistas procura disseminar o conhecimento científico e tecnológico sobre a botânica em suas diferentes áreas, aplicações e interações, em especial  sobre a utilização terapêutica de plantas medicinais e o reconhecimento de plantas potencialmente tóxicas.
Os pesquisadores alertam que muitas plantas são parecidas uma com as outras e, portanto, facilmente confundidas ( como é o caso  do quebra-pedra Phillanthus niruri L., que é muita vezes confundida com outra espécie, a Euphorbia prostrata L., que cresce em fendas nas calçadas e não possui as mesmas propriedades medicinais do verdadeiro quebra-pedra). os medicamentos  à base de plantas são usados para os mais diferentes fins: acalmar, cicatrizar, expectorar, engordar, emagrecer, entre outros, fazendo com que muita gente não atente para os riscos de cada espécie. O conceito, equivocado, de que as plantas são remédios e que, por isso, não fazem mal, muitas vezes leva a um uso excessivo. Todo o medicamento, inclusive o fitoterápico, somente deve ser usado segundo orientação médica.
Diversas iniciativas governamentais estão regulamentando o uso de plantas medicinais no sistema de saúde (Veja aqui no Biorritmo a postagem Anvisa Reconhece o Uso de Ervas Medicinais). Estudos científicos vêm com comprovando os usos de diversas espécies , contribuindo para a sua aplicação, que certamente pode oferecer soluções eficazes para diversas doenças, constituindo-se em um recurso terapêutico alternativo.

*A seguir, alguns exemplos de plantas medicinais que possuem efeitos terapêuticos comprovados pela ciência: Maria-sem-vergonha (Catharanthus roseus) usada em medicamentos que combatem o câncer; Dedaleira (Digitalis lanata) regula o ritmo cardíaco; Cevada (Hordeum vulgare) a base do anestésico sintético lidocaína; Beladona (Atropa belladonna) usada nas áreas de cardiologia e oftalmologia; Papoula (Papaver somniferum) é a fonte da morfina, um dos analgésicos mais eficazes; Pimenta (Capsicum solanaceae) usada no tratamento de dores reumáticas e irritações da pele; Calêndula (Calendula officinalis) para dor de estômago e queimaduras; Lavanda (Lavandula officinalis) propriedades relaxantes e antissépticas; Camomila (Matricaria recutita) é um dos melhores calmantes naturais; Equinácea (Echinacea spp.) estimula o sistema imunológico do corpo; Aviolácea (Violaceae) tem propriedades anti-inflamatórias e é rica em vitaminas A e C; Sálvia (Salvia officinalis) usada em remédios para resfriado e gripe.

Fonte: Revista Rio Pesquisa da Faperj
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