A Pecuária e os Pecados Ambientais da Carne

O metano resultante da fermentação entérica dos ruminantes é liberado pela flatulência e arrotos desses animais contribuindo significativamente para o aumento das emissões de gases de efeito estufa

O agronegócio movimenta cerca de 330 bilhões de dólares por ano, responde por 25% do PIB (Produto Interno Bruto), 37% dos postos de trabalho e 36% das exportações do país. É um dos responsáveis pelo bom desempenho da balança comercial, com vendas externas de acima de 60 bilhões de dólares. Tais dados, apresentados pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e referendados pelo Ministério da Agricultura não deixam dúvidas sobre a importância do setor para a economia brasileira. No entanto, do ponto de vista socioambiental, é preciso considerar a distribuição e concentração de renda, a destruição de biomas, a poluição e emissão de gases de efeito estufa. É nesse contexto que a discussão sobre pecuária se insere.
A Convenção do Clima de Copenhague (COP 15), realizada em dezembro de 2009, deixou claro que a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) deve incluir ações e financiamento para combater o desmatamento, dado o papel fundamental das florestas na estabilização do clima global. Os grandes estoques de carbono armazenados na massa vegetal, se liberados pelo desmatamento, provocariam um agravamento do aquecimento global. O governo brasileiro reconhece que o setor de pecuária é o principal vetor de desmatamento na Amazônia, que, por sua vez, é o maior  vetor de desmatamento do mundo. Pecuaristas de todos os portes têm derrubado a floresta para criar os seus rebanhos. Além da substituição da floresta por pastagens, a pecuária envolve ainda a emissão de gases pelos rebanhos.
Segundo o inventário mais recente que abrange o período entre 1990 e 2005, as emissões brasileiras de GEE passaram  de 1,36 bilhão de toneladas para 2,2 bilhões, um aumento de 62%, puxados pelo desmatamento da Amazônia e do Cerrado. O Brasil é o quinto maior poluidor do planeta, atrás de China (7,5 bilhões de toneladas), Estados Unidos (6 bilhões), União Européia (4,6 bilhões) e Indonésia(2,3 bilhões).
O dióxido de carbono (CO2) - produzido pela queima de combustíveis fósseis e de biomassa -é comumente lembrado como o principal responsável pelo aquecimento global, mas o especialistas apontam que há outros gases que precisam ser considerados pelo seu alto potencial de aquecimento global, como o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Estes últimos foram identificados como sendo os principais gases emitidos diretamente pela agropecuária e respondem por cerca de um quarto das emissões brasileiras de GEE.
O processo de formação entérica dos ruminantes é a principal fonte de metano emitido no Brasil. A produção desse gás liberado pela flatulência e arrotos desses animais  se explica pelo processo digestivo. Microrganismos que vivem no rúmen e intestinos dos ruminantes degradam a celulose dos vegetais ingeridos e extraem  a energia neles fixada por meio da fotossíntese. O metano é um subproduto desse processo.
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) estima que essas emissões correspondem a 96% de todo o metano gerado por fontes  de origem agrícola no país (que incluem também o cultivo de arroz irrigado por inundação e a queima de resíduos agrícolas nos campos). Somente  os bovinos  de corte e leite somam 96% das emissões de metano, enquanto as outras categorias de animais são responsáveis pelos 4% restantes. Em média, cada boi no pasto produz por ano até 55 quilos de metano ou mais de 1 tonelada de CO2 equivalente.
Não é sem motivo que pecuaristas se preocupem em melhorar sua imagem e buscar opções  para o setor. De acordo com a Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), entidade que reúne os maiores frigoríficos do Brasil, a demanda por práticas social e ambientalmente corretas está vindo de todos os lados: acionistas, clientes, bancos que financiam essas empresas. A pressão contribui para ampliar a preocupação desse setor com as questões socio-ambientais, incluindo a escolha de seus fornecedores.
O Blog AmbienteBrasil publicou duas postagens bastantes interessantes sobre este tema. A primeira traz um  vídeo alertando para a campanha Carne Legal  e tem o título de "De onde vem a carne que você come?"(07/06/2010); a segunda atualiza os dados sobre a emissão de GEE no Brasil (Emissões de GEEs aumentaram 60% entre 1990 e 2005 no Brasil- 28/10/2010).

Fonte: Revista Carta na Escola

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