As Parasitoses Intestinais no Brasil

A incidência de parasitoses intestinais está associada aos hábitos de higiene e às condições  de vida das pessoas. Mesmo assim já foi comprovado que infecções por lombrigas Ascaris lumbricoides (foto) ocorrem em todas as camadas sociais

As parasitoses intestinais especificamente em crianças continuam sendo um importante problema de saúde pública no Brasil. A literatura pertinente aponta como problema a classe econômica e os menos favorecidos culturalmente, o que abrange grande parcela da população brasileira. Estima-se que cerca de um bilhão de indivíduos em todo o mundo albergue o parasita Ascaris lumbricoides (lombriga), sendo apenas um pouco menor o contigente infectado por Trichuris trichuris e pelos ancilostomídeos. Estima-se também que entre 200 e 400 milhões de pessoas alberguem respectivamente Giardia lamblia e Entamoeba histolytica. As conseqüências que as parasitoses podem trazer a seus portadores incluem: obstrução intestinal, desnutrição, anemia ferropriva, quadros de diarréias e dificuldades no aprendizado. Em casos extremos, pode-se levar à morte, sendo que as manifestações clínicas são usualmente proporcionais à carga parasitária do indivíduo.
Apesar das substanciais melhorias registradas nas últimas décadas, proporções consideráveis das crianças, em particular de São Paulo, ainda aparentam estar expostas a infestações por parasitas intestinais. Em 1995/96, mais da metade das crianças da cidade eram cuidadas por mães com baixa escolaridade, um terço vivia em domicílios nos quais  a renda familiar era de menos de um salário mínimo por pessoa, 30% residiam em domicílios não servidos por rede de esgoto, quase 20% habitavam em moradias de construção precária e/ou de tamanho insuficiente e 6% não tinham acesso a meios básicos de prevenção à saúde. Da eficácia no combate a essas condições adversas - e, portanto, da implantação e sucesso de políticas públicas que promovam o crescimento econômico, a melhor distribuição de renda e a universalização do acesso e aos serviços de saneamento e de saúde - dependerá o completo controle das enteroparasitoses na cidade de São Paulo, bem como nas demais cidades brasileiras.
O que fazer frente a um velho problema de saúde pública? Os métodos tradicionais de promoção em saúde e educação em saúde sempre continuarão sendo muito úteis  e eficazes, quando aplicados. As práticas  educacionais quando bem aplicadas levam as pessoas  a adquirirem os conhecimentos para prevenção de parasitoses, alcançando objetivos propostos e evidenciando o valor da orientação pedagógica para a conscientização da população. O parasitismo intestinal ainda se constitui num dos mais sérios problemas de saúde pública no Brasil, principalmente pela sua correlação com o grau de nutrição das populações, a fetando especialmente o desenvolvimento físico, psicossomático e social de escolares.
Diversos estudos demonstram que indivíduos pertencentes a classes economicamente e socialmente desfavorecidas estão mais suscetíveis as infecções parasitárias. Somados à questão acima, maior densidade populacional, hábitos religiosos, deficiência na higiene pessoal, baixas condições de vida e ignorância favorecem a disseminação e podem levar a incidência das parasitoses em determinada região. As infecções por parasitas acompanham a humanidade desde a pré-história e provavelmente o farão por toda a existência da raça humana. Como minimizar então as conseqüências danosas que acometem a tantas pessoas?
O investimento em educação e saneamento básico consiste nos sistemas mais eficientes e baratos de se combater as parasitoses humanas. É sabido que a cada dólar investido em saneamento básico se economiza cinco em atividades curativas, a serem implementadas para combater doenças causadas pela falta do mesmo.

Adaptado do artigo "Estudo Comparativo da Freqüência de Parasitoses em Dois Laboratórios de Análises Clínicas, Segundo a Renda Familiar, Cascavel-Pr" de Zanluti Filho e Teixeira. Publicado em Laes&Haes N°174, 2008

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