Cuidado com as Arraias de Água Doce

Acidentes com arraias de água doce vêm aumentando entre a população ribeirinha, banhistas e pescadores amadores após a chegada destes peixes nos rios de São Paulo

Arraias de água doce só existem na América do Sul. São o resultado da adaptação de algumas espécies marinhas que entram nos rios. A maioria pertence à família Potamotrygonidae, podendo atingir um metro de diâmetro e pesar 30 kg. No Brasil, as arraias ocorrem na  Amazônia e na bacia Araguaia/Tocantis. Algumas espécies foram encontradas no Rio Paraná, a 30 km da foz do Tietê, embora até pouco tempo esses peixes não existissem nos rios do Estado de São Paulo. As espécies encontradas em São Paulo provavelmente migraram do Rio Paraguai para o Paraná, por onde também chegaram à Argentina. Com o desaparecimento de barreiras naturais - como a cachoeira de Sete Quedas, submersa pelas águas do reservatório de Itaipu - as arraias se locomoveram rio acima e recentemente chegaram ao estado paulista.
A arraia pode ter até três ferrões serrilhados e pontudos, com glândulas de veneno que provoca necrose no local afetado e dores fortíssimas. É comum o ferrão quebrar dentro da pele. Se o ferimento não for logo tratado, pode desencadear infecções secundárias e tétano. Ainda que as arraias não sejam agressivas, é comum elas se defenderem dos "pisões" de pescadores, ribeirinhos e banhistas distraídos, chicoteando com sua cauda contra os que as machucam. O sofrimento causado por uma ferroada de arraia é tão intenso que a vítima muda de comportamento, chegando até a bater a cabeça na parede em desespero.
Muitos relatos foram feitos por pescadores que ao entrarem em algum rio pisam sobre estes seres, devido ao hábito destes animais estarem constantemente enterrados no fundo dos rios, e por um ato de puro reflexo, introduzem a sua cauda geralmente no tornozelo do pescador, sendo que este sentirá uma dor muito aguda que pode ser seguida de vômito, aumento da freqüência cardíaca e se houver alguma infecção ou sangramento deve ser tratado por um profissional da saúde, sendo que o local da picada deve ser observado atentamente para notar se não há nenhum espinho remanescente.
De acordo com o relato de um pescador, seu irmão pisou em uma arraia em um rio de Goiás e viu que a cauda deste peixe possui uma amplitude de movimento de 360° e que a arraia ao ser pisada move esta cauda muito rapidamente e assim acaba por atingir o tornozelo do pescador, na maioria dos casos, na região posterior, atingindo o tendão. Devido à disposição dos espinhos, a cauda ao entrar no tornozelo rasga os músculos e ao sair continua rasgando.
A primeira medida após um ataque de arraia deve ser emergir o ferimento em água quente, pois uma das  características do veneno de peixes é ser termolábil - o calor pode degenerá-lo e diminuir a dor, embora não seja capaz de evitar a necrose. Em seguida, a vítima deve procurar atendimento médico para radiografar a parte afetada e receber medicação com antibióticos. Até o momento, porém, não foi desenvolvido soro para ferroada de arraias. A não produção se justifica pelo número reduzido de acidentes relatados (embora não se conheça a real dimensão do problema) e pelo fato do veneno não ser letal, como o de algumas cobras.

Comentários

  1. Fui atacado por uma arraia no rio Poti, em Crateús/CE. Há tres semanas que sofro com a infeção na parte superior do pé. A dor é terrível nas primeiras horas.

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  2. pescamos uma hoje em Diamante do Oeste no Paraná.

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  3. Muito boa a explicação, graças a Deus nunca fui atingido mas já vi um tio meu ser "picado" bem na minha frente ele ficou (louco) de tanta dor que sentia no momento.

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  4. Como é a recuperação as náuseas e falta de ar pode vim no decorrer pq eu fui ferrada por uma a uma semana e não sei cm e só sei q ainda tá enchado meu pé.tomei antibiótico e antiflamatorio,e continuo fazendo curativo duas vezes ao dia

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  5. Preciso de uma resposta logo se puderem me ajudar obrigado

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    1. Talvez isso possa ajudar http://pt.wikihow.com/Tratar-uma-Ferroada-de-Arraia

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