Os Benefícios da Meditação


A meditação tem um grande potencial para uso clínico. Diversos estudos mostram que pessoas que praticam a meditação podem reduzir as respostas inflamatórias e comportamentais ao estresse, que estão ligadas a doenças graves, incluindo depressão, câncer e doenças cardíacas.


Recentemente, pesquisadores e instituições ao redor do mundo têm procurado ressaltar a importância da meditação na terapia clínica. De acordo com os pesquisadores a meditação não consiste apenas em ficar sentado em silêncio. Para os estudiosos, a meditação é um processo de familiarização, cultivo ou melhoria de certas habilidades, com impactos reais sobre as estruturas relacionadas com a conectividade do cérebro, o que leva a resultados efetivos sobre a saúde e o bem estar do meditador. Selecionei algumas abordagens científicas sobre este assunto.
Um estudo, realizado em parceira por pesquisadores da Universidade da Califórnia (UC) em Davis e São Francisco, nos Estados Unidos, concluiu que a prática de meditação influenciam na melhoria do sistema imunológico. Os pesquisadores explicam que o aumento da atividade da enzima telomerase é responsável por essa influência. O estudo é o primeiro a associar o bem-estar a atividade da enzima, responsável pela saúde a longo prazo das células. O efeito pode ser atribuído a mudanças psicológicas que melhoram a capacidade das pessoas para lidar com o estresse e manter a sensação de bem-estar.
"Nós descobrimos que a meditação promove mudanças psicológicas positivas e que os meditadores com melhores resultados psicológicos tinham os maiores níveis de telomerase", disse Clifford Saron, pesquisador associado da UC Davis. O pesquisador completa que "a meditação pode melhorar o bem-estar psicológico e por sua vez, essas mudanças estão relacionadas a atividade da telomerase nas células do sistema imunológico, que tem potencial para promover a longevidade dessas células".
A telomerase é uma enzima que pode reconstruir e alongar os telômeros. Outros estudos sugerem que a atividade da enzima pode estar associada ao estresse psicológico e a saúde física. Os telômeros são sequências de DNA no final de cromossomos, que tendem a ficar mais curtos a cada vez que uma célula se divide. Quando os telômeros reduzem a um comprimento crítico, a célula não pode mais se dividir corretamente e eventualmente morre.
Usando técnicas de modelagem estatística, os pesquisadores concluíram que a atividade da telomerase foi elevada devido aos efeitos benéficos da meditação sobre o controle percebido.
Um novo estudo em curso na Emory University, nos Estados Unidos, vai testar o valor da meditação para ajudar as pessoas a lidar com o estresse.  Um estudo conhecido como The Compassion and Attention Longitudinal Meditation Study (CALM) vai ajudar os cientistas a determinar como os corpos das pessoas, as mentes e os corações respondem ao estresse, e que práticas de meditação específica é melhor para evitar essas respostas.
"Qualquer coisa que afete o funcionamento normal e a integridade do corpo tende a ativar uma parte do sistema imunológico chamado inflamação", disse o investigador principal do estudo, Charles Raison. "A inflamação inclui processos que o sistema imunológico utiliza para lidar com vírus ou bactérias, ou qualquer organismo estranho e perigoso. Os dados mostram que pessoas que praticam a meditação podem reduzir as respostas inflamatórias e comportamentais ao estresse, que estão ligadas a doenças graves, incluindo depressão, câncer e doenças cardíacas."
O estudo CALM tem três componentes diferentes. O componente principal é chamado de "Mecanismos de Meditação". Esse aspecto do estudo compara a meditação de compaixão com duas outras intervenções - o treinamento da atenção e uma série de palestras relacionadas à saúde. Os participantes são divididos aleatoriamente em uma das três intervenções.
Um segundo componente envolve o uso de um gravador ativado eletronicamente (o chamado "EAR") que é usado pelos participantes antes do início e após a conclusão das meditações.  O gravador é utilizado para avaliar o efeito das intervenções sobre comportamento social dos participantes periodicamente registrando fragmentos de sons do ambiente do dia a dia dos participantes. O terceiro componente envolve a neuroimagem dos participantes para determinar se a meditação de compaixão e a meditação da atenção tem efeitos diferentes sobre a arquitetura do cérebro e a função das vias empáticas do cérebro.
De acordo com os pesquisadores a meditação não consiste apenas em ficar sentado em silêncio. A meditação é um processo de familiarização, cultivo ou melhoria de certas habilidades. Eles afirmam ainda que práticas de meditação destinadas a promover a compaixão podem impactar os caminhos fisiológicos que são modulados pelo estresse e que são relevantes para várias doenças.
Um estudo realizado por pesquisadores do Wake Forest Baptist Medical Center, nos Estados Unidos sugere que a meditação produz efeitos de alívio da dor no cérebro. Resultados mostram que apenas pouco mais de uma hora de meditação pode reduzir drasticamente tanto a experiência da dor quanto a ativação do cérebro relacionada à dor.
Pesquisadores encontraram uma redução de 40% na intensidade da dor e uma redução de 57% nos fatores desagradáveis da dor. A meditação produziu uma maior redução da dor do que até mesmo a morfina ou outras drogas analgésicas, que normalmente reduzem os níveis de dor cerca de 25%.
Para o estudo, 15 voluntários saudáveis que nunca haviam meditado assistiram a quatro aulas de 20 minutos para aprender uma técnica de meditação conhecida como atenção concentrada. A atenção concentrada é uma forma de meditação onde as pessoas são ensinadas a dar atenção à respiração e esquecer de pensamentos e emoções perturbadores. Tanto antes como depois do treinamento da meditação, a atividade do cérebro dos participantes foi examinada usando uma ressonância magnética de rotulagem spin arterial (MRI ASL) - que capta processos de longa duração do cérebro, como a meditação, mais do que verifica a função cerebral. Durante esses exames, um dispositivo de calor de indução da dor foi colocado nos pés direito dos participantes. Este dispositivo aquece uma pequena área da pele a 120 ° C, uma temperatura que a maioria das pessoas acha doloroso, durante um período de 5 minutos.
Os exames após o treinamento da meditação mostraram que as taxas de dor de cada participante foram reduzidas, com quedas que variam de 11 a 93%.
Ao mesmo tempo, a meditação reduziu significativamente a atividade cerebral no córtex somatosensorial primário, uma área que está crucialmente envolvida na criação do sentimento de onde e quão intenso um estímulo doloroso é. As varreduras realizadas antes do treinamento da meditação mostrou que a atividade nessa área foi muito alta. No entanto, quando os participantes estavam meditando durante os exames, nenhuma atividade nesta importante região dor-tratamento foi detectada.
A pesquisa também mostrou que a meditação aumentou a atividade cerebral em áreas que incluem o córtex cingulado anterior, ínsula anterior e no córtex órbito-frontal. "Todas essas áreas moldam a forma como o cérebro constroi uma experiência de dor vinda de sinais nervosos que vêm do corpo", disse o autor sênior Robert C. Coghill. "Consistente com essa função, quanto mais essas áreas foram ativadas pela meditação, mais a dor foi reduzida. Uma das razões pela qual a meditação pode ter sido tão eficaz em bloquear a dor é que ela não trabalhou em apenas um lugar no cérebro, mas reduziu a dor em vários níveis de processamento."
O líder do estudo, Fadel Zeidan e seus colegas acreditam que a meditação tem um grande potencial para uso clínico porque muito pouca formação foi necessária para produzir tais efeitos dramáticos no alívio da dor. "Este estudo mostra que a meditação produz efeitos concretos no cérebro e pode fornecer uma forma eficaz para reduzir substancialmente a dor sem medicamentos", afirmou Zeidan.
De acordo com uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de Basel, na Suíça, meditação " mindfulness" pode ajudar portadores de esclerose múltipla (EM) a controlarem a depressão, a fadiga e outros desconfortos que acompanham a doença. O estudo foi publicado na última edição do Neurology, jornal médico da Academia Americana de Neurologia.
De acordo com a investigação, as pessoas que passaram por oito semanas de treinamento em meditação mindfulness reduziram a fadiga, depressão e melhoraram a qualidade geral de vida, em relação às pessoas com esclerose múltipla que só receberam o atendimento médico usual. Os efeitos positivos puderam ser notados em seis meses. "As pessoas com EM frequentemente devem enfrentar desafios especiais da vida relacionados à profissão, segurança financeira, atividades recreativas, sociais e relações pessoais, para não mencionar os temores diretos associados aos sintomas físicos e incapacidade, atuais ou futuros", disse Paul Grossman, líder do estudo. " Fadiga, depressão e ansiedade são consequências comuns da EM". Ele ressalta, ainda, que "infelizmente, os tratamentos que ajudam a retardar o processo da doença podem ter pouco efeito direto sobre a qualidade de vida dos cidadãos. Assim, todos os tratamentos complementares, que podem melhorar rapidamente e diretamente a qualidade de vida são muito bem-vindos".
Para o estudo, 150 pessoas com EM leve a moderada foram aleatoriamente designadas para o treinamento de meditação por oito semanas, enquanto outras receberam apenas os cuidados médicos habituais para a doença.
"A EM é uma doença imprevisível", afirmou Grossman. "As pessoas podem ter um mês ótimo e depois ter um ataque que pode reduzir sua capacidade de trabalhar ou cuidar de sua família. A formação de uma consciência pode ajudar as pessoas com esclerose múltipla a lidarem melhor com essas mudanças. O aumento da atenção na vida diária também pode contribuir para uma sensação mais realista de controle, bem como uma maior valorização de experiências positivas que continuam a fazer parte da vida".
Pesquisadores da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, descobriram que apenas 11 horas de aprendizagem de uma técnica de meditação induz modificações estruturais positivas na conectividade do cérebro, aumentando a eficiência de uma parte que ajuda a regular o comportamento de uma pessoa.
A técnica - formação integradora corpo-mente (IBMT) - tem sido foco de intensa investigação por uma equipe de pesquisadores chineses, liderados por Yi-Tang Yuan da Dalian University of Technology, na China, em colaboração com o psicólogo Michael I. Posner, da Universidade de Oregon.
A nova pesquisa envolveu 45 estudantes, 28 homens e 17 mulheres. Cerca de 22 indivíduos receberam IBMT e enquanto 23 participantes estavam em um grupo controle que recebeu a mesma quantidade de um treino de relaxamento.
Um tipo de ressonância magnética, chamada tensor de difusão de imagens (foto), permitiu aos pesquisadores analisarem as fibras de ligação de regiões do cérebro antes e depois do treinamento. As mudanças foram mais fortes nas ligações envolvendo o cingulado anterior, uma área do cérebro relacionada com a capacidade de controlar emoções e comportamentos. As alterações foram observadas somente naqueles que praticavam a meditação e não no grupo controle. As mudanças na conectividade começaram depois de seis horas de treino e ficaram claras após 11 horas de prática. Os pesquisadores disseram que é possível que as alterações tenham resultado de uma reorganização dos intervalos da matéria branca, ou por um aumento de mielina que envolve as ligações.
"A importância de nossos resultados diz respeito à capacidade de fazer mudanças estruturais em uma rede do cérebro relacionada com a auto-regulação", disse Posner. "O caminho que tem a maior variação devido ao IBMT é aquele que diz respeito às diferenças individuais na capacidade da pessoa para regular conflitos."
"Os resultados sugeriram a possibilidade de que o treinamento adicional pode provocar mudanças estruturais no cérebro, levando a novas pesquisas", disseram Tang e Posner.
Os investigadores estão atualmente aumentando a sua avaliação para determinar se uma exposição mais longa à IBMT produzirá mudanças positivas no tamanho do cingulado anterior.
Déficits de ativação do córtex cingulado anterior têm sido associados com transtorno de déficit de atenção, demência, depressão, esquizofrenia e muitos outros transtornos. "Acreditamos que esta nova descoberta é de interesse para os domínios da educação, saúde e neurociências, bem como para o público em geral", acrescentou Tang.

Fonte: Isaude.net



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