Cultura de Células Vegetais

A biotecnologia celular de plantas consiste na utilização integrativa de processos tecnológicos e bioquímicos, empregando-se células, tecidos e órgãos de plantas superiores cultivados, visando a geração de produtos e serviços

A idéia da clonagem vegetal, cultivando-se células isoladas de plantas surgiu de um botânico alemão, Gottlieb Haberlandt, como uma estratégia capaz de materializar os conceitos imbutidos na teoria celular proposta por Schwann & Shleider (1839). Esta teoria supunha que uma célula, animal ou vegetal, como menor unidade biológica, autônoma, seria capaz de originar um organismo completo. Assim, essa teoria afirmava que uma célula diferenciada, num organismo pluricelular, manteria seu material genético a fim de produzir um outro indivíduo fiel ao doador da célula, comportando-se como uma célula germinativa, ou um zigoto.
A questão era como fazer uma célula especializada (diferenciada), que estava programada para desempenhar determinadas funções dentro do organismo, voltar a ter características embrionárias e a capacidade de produzir um novo ser.
Ainda hoje esta é uma técnica um tanto obscura, como já o fora há muito. Mesmo estando a ciência atual às voltas com a chegada de um novo milênio, a cultura de tecidos vegetais a partir da desdiferenciação celular, torna-se um desafio para muitos pesquisadores que buscam nesta linha de pesquisa chegar a descobertas importantes na área da biotecnologia.
Muitos dos conhecimentos obtidos por Haberlandt podem ser vistos como verdadeiras premunições, como princípios fundamentados e procedimentos técnico-teóricos a serem seguidos.
Foi de células de raiz de cenouras que surgiu a primeira demonstração questionável na obtenção de embriões de plantas a partir de células maduras (embriogênese somática), em 1958, por Steward e colaboradores, cerca de vinte anos depois das pesquisas de Haberlandt, através do cultivo de células isoladas (Kerbauy, 1997).
Surge desta maneira a biotecnologia celular de plantas, que consiste na utilização integrativa de processos tecnológicos e bioquímicos, empregando-se células, tecidos e órgãos de plantas superiores, visando a geração de produtos e serviços (Kerbauy, 1997).
Uma ordenação pode elucidar o sistema de estabelecimento de uma cultura de células somáticas1 - Tecido Diferenciado 2 - Massa de Células ou Calo 3 - Órgão, Tecido, Organismo
Segundo Murashige (1974) a cultura de tecidos basicamente compreende três fases:
Estádio I: seleção dos exemplares, desinfestação e cultura em meio nutritivo sob condições assépticas. Todavia, Deberg e Read (1991) citam que um “estádio 0” poderia ser acrescentado, como forma de contornar os graves problemas de contaminação relacionados com explantes oriundos de casa de vegetação ou do campo. Nessa fase, procurar-se-ia cultivar as plantas matrizes em condições controladas garantindo um bom estado fitossanitário da mesmas, resultando em baixos índices de contaminação quando do cultivo in vitro;
Estádio II: multiplicação dos propágulos através de sucessivos subcultivos ou recultivos em meio apropriado para a multiplicação;
Estádio III: transferência dos brotos produzidos para meio de enraizamento e subsequente transplantio das plantas obtidas para um substrato adequado. Nessa fase a planta passa de uma situação de reduzido fluxo transpiratório, devido à baixa irradiância e à elevada umidade relativa, para um ambiente que demanda um incremento na taxa de transpiração, ficando muito suscetível ao estresse hídrico. Ainda, a planta passa de uma existência heterotrófica, na qual depende do suprimento exógeno de energia (fonte de açúcar no meio) e da alta disponibilidade de nutrientes, para um estado autotrófico, no qual precisa de realizar fotossíntese e incrementar rapidamente a absorção de nutrientes para sobreviver (Grattapaglia & Machado, 1990).

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