Infecção Alimentar pela Bactéria Escherichia coli

Manfred Rohde/Helmholtz/Reuters
Imagem da bactéria E. Coli. Este não é o primeiro surto causado pela bactéria. Em 1996, um surto no Japão afetou cerca de 10 mil pessoas e produziu 11 mortes. Em 1998, a via de transmissão da infeccção foi carne moída para hambúrgueres na América do Norte. Em 2006, espinafres contaminados espalharam a infecção por 26 estados americanos

A bactéria Escherichia coli é uma das mais frequentes nas infecções alimentares, junto com a salmonela, indica o médico do Serviço de Microbiologia do Hospital La Paz de Madri Jesús Mingorance. A E. coli se propaga principalmente pela comida, pela água contaminada ou pelo contato com animais doentes. Os sintomas típicos da infecção pela bactéria são febre moderada e vômito. Em alguns casos, há diarreia com sangue nas fezes.Na maior parte dos casos, a infecção gastrointestinal causada pela bactéria desencadeou a SHU nas pessoas contaminadas na Europa, o que surpreendeu os pesquisadores. O Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), com sede na Suécia, disse que o surto de Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU), causada pela infecção, é "um dos maiores já registrados no mundo e o maior já registrado na Alemanha".
A síndrome SHU é caracterizada por diarreia acompanhada de sangramento, podendo levar a graves lesões nos rins. Nos casos mais severos, a síndrome provoca convulsões e problemas graves no sistema nervoso.
Até o momento, 1.200 casos confirmados ou suspeitos de infecções pela E. coli foram registrados na Alemanha, e há relatos de centenas de infectados na Suécia, Dinamarca, Holanda e Reino Unido. Normalmente, a doença afeta crianças com menos de cinco anos de idade, mas no caso alemão, 90% dos pacientes são adultos e dois terços são mulheres.
Em 2009 - o último ano de que há dados -, o Instituto de Saúde Carlos 3º, em Madri, registrou 16 casos, dos quais 14 eram do tipo de bactéria O157:H7, que parece ser a causa do surto na Alemanha, segundo informações do jornal "El País".Na maioria dos casos, os afetados se recuperam depois de algum tempo, em média de uma semana a dez dias, somente recebendo hidratação. Mas as bactérias como a O157:H7, podem evoluir para uma situação muito pior. Podem atacar os rins e, se a insuficiência for grave, levar à morte.O Centro de Controle de Doenças dos EUA calcula que essas complicações aparecem entre 5% e 10% dos casos. Deles, cerca de 4% são fatais.
O terror médico criado pelo escritor americano Robin Cook em seu mais alto nível no livro "Toxina" parece que virou realidade. Toxina conta o drama de um conceituado cirurgião cardíaco dos EUA lutando para salvar a vida de sua filha da perigosa bactéria E. coli O157:H7. Desesperado e sem conseguir impedir a progressão da doença em sua filha, que está prestes a morrer, ele se lança em uma arriscada investigação que leva às indústrias de carne dos EUA e suas perigosas práticas. Ele e sua ex esposa agora estão juntos novamente para descobrir a origem e evitar a morte de milhares de outras crianças como sua filha, eles só não esperavam que os grandes chefões das indústrias estivessem prontos para o assalto.
Leia a seguir um trecho do livro "Toxina" de médico e escritor americano Robin Cook:
"Kathleen suspirou, resignada. Esperava não ter de tocar naquele assunto, mas ele não lhe deixava alternativa. Pigarreou e foi direta aos fatos:
- Morrem cerca de duzentas a quinhentas pessoas ao ano, em sua maioria crianças, em conseqüência do E.coli O157:H7, vitimadas geralmente por SUH.
A testa de Kim ficou encharcada de suor. Mostrava-se outra vez visivelmente atordoado.
- De duzentas a quinhentas mortes por ano – repetiu. – É inacreditável, ainda mais por eu nunca ter ouvido falar de SUH.
- Como disse, são só estimativas do Centro para Controle de Doenças.
- Com essa taxa de mortalidade, porque não se tem maior conhecimento da doença? – perguntou Kim. A intelectualização sempre fora um mecanismo de defesa para Kim quando lidava com a carga emocional da problemática da medicina.
- Isso não sei responder – comentou Kathleen. – Ocorreram pelo menos dois episódios trágicos de grande dimensões relacionados a essa cepa do E.coli, como o surto do Jack-in-the-Box em 1992 e o da Hudson Meat no verão de 1997. Por que esses e outros casos não motivaram a conscientização geral do público, eu não sei.
- Eu me lembro desses dois episódios. Pensei que o governo e o Departamento de Agricultura dos EUA tivessem cuidado do problema.
Kathleen deixou escapar uma risada cínica.
- Tenho certeza de que era nisso que o Departamento de Agricultura dos EUA e a indústria da carne esperavam que o público acreditasse.
- É basicamente um problema com carne vermelha? – perguntou Kim.
- Carne moída, para ser mais exata. Carne moída mal passada. Mas é verdade que já foram registrados casos provocados por suco de maçã ou cidra, e até pelo leite não pasteurizado. O fator chave é o contato com as fezes do animal infectado."
 A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quinta-feira (02/06/2011) que o surto de E. coli que atinge a Europa é causado por uma cepa (variação da bactéria) completamente nova. Sequenciamento genético preliminar sugere que a cepa é uma forma mutante de duas bactérias E. coli, com genes agressivos que poderiam explicar por que o surto que atinge nove países, principalmente a Alemanha, parece ser tão perigoso, disse a agência. A bactéria contém genes que causam resistência a antibióticos e são similares a uma cepa que causa grave diarréia na República da África Central, de acordo com um comunicado do laboratório chinês BGI, em Shenzhen, que trabalha em conjunto com pesquisadores do Centro Médico Universitário do laboratório Eppendorf, em Hamburgo. Segundo pesquisadores da Alemanha, a bactéria tem genes de dois grupos distintos de E.coli: a E.coli enteroagregativa (EAEC) e a E.coli enterohemorrágica (EHEC).


*Com informações da Reuters, BBC e El País


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