Os Problemas da Falta de Educação Financeira

“A forma que lidamos com dinheiro está marcada por várias questões emocionais, desde a infância”, diz Jacqueline Kaufmann, psicóloga financeira e terapeuta sistêmica. “Dinheiro está inserido em todas as famílias e a relação que se tem com ele marca a pessoa”, afirma a psicóloga.
De acordo com Jacqueline, a tendência das pessoas é repetir o padrão que aprenderam em casa. Nos casos em que isso gera uma relação negativa com o dinheiro, é preciso avaliar as origens do mau comportamento. Há também quem caia no extremo oposto do comportamento aprendido, para fugir do padrão: diante de pais sovinas, há filhos que viram perdulários extremos.

Não é difícil achar quem se identifique com a viciada em compras Becky, do filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”(foto). Tem pessoas que costumam fazer ‘shoppingterapia’ em situações de extrema ansiedade ou em liquidações imperdíveis. Para muitos dinheiro quer dizer independência, ser dono da sua vida, ter poder, controle. Dependendo da associação que se faz, é fácil ir para o shopping e extrapolar, para tentar suprir uma necessidade emocional ou preencher um vazio existencial.
Uma forma eficaz de prevenir que a espiral que leva a pessoa a gastar mais do que tem é investir em educação financeira. “Nada contra realizar desejos, mas é preciso aprender a diferenciar o desejo e a necessidade. Crédito é para emergências. Para realizar desejos, o ideal é juntar o dinheiro antes”, diz Sheila Maia, professora do curso de administração e especialista em finanças pessoais da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-RJ). Ou seja, mesmo quem é emocional e impulsivo  pode se beneficiar ao entender como o jogo financeiro funciona. “Nossa geração é descontrolada por casa da inflação; você gastava o dinheiro logo porque não sabia o preço do açúcar amanhã”, afirma.
Essa mentalidade, aliada à oferta de crédito que existe hoje, é uma bomba-relógio financeira. “Em fevereiro tem carnaval e as operadoras de turismo dividem em dez vezes os pacotes. Logo depois tem a Páscoa, com ovos parcelados. Em maio, Dia das Mães, mais parcelas. Dia dos Namorados em junho, Dia dos Pais em agosto, Dia das Crianças em outubro. No Natal, mais presentes. Em janeiro, IPTU e IPVA. Não tem jeito, vira uma bola de neve”, diz Sheila. 
É preciso organização para saber quanto da renda pode ser comprometida e controle para não estender no prazo o pagamento de itens que podem ser quitados à vista. Como parcelas pequenas dão a falsa sensação de “caber no bolso”, a pessoa se ilude sobre o tamanho da dívida total e se endivida.
“Os apelos do comércio impulsionam ao consumo, a pessoa acaba induzida a comprar”, diz Omar Malheiro, diretor da financeira ATN Capital. “As pessoas compram mais do que podem, pagam juros, em vez de poupar uma parte do salário, porque têm otimismo de que tudo vai dar certo amanhã”, alerta Sheila, da ESPM-RJ.
Não olhar as próprias contas com cuidado é outro indício de que as emoções podem estar negligenciadas. “Gastos impulsivos não são comportamentos racionais. Fugir das próprias contas é inconsciente. Quando eu fujo dessa responsabilidade, provavelmente fujo de outras, como situações conflitantes. Geralmente, faz parte de um contexto bem mais amplo”, diz Jacqueline.
Fonte: Portal iG

Comentários

  1. O consumismo na atualidade é algo que precisa ser tratado com a ajuda de médicos.
    Muitos de nós conhecemos ao menos uma pessoa que é fanática por shoppings e compras, com isso muitas pessoas estão comprando o que não podem com o decorrer da facilidade da compra como por exemplo a compra por prestações as pessoas mesmo que não tenha o dinheiro utiliza seus cartões de crédito para comprar.
    E esse assunto sempre esta sendo abordado em televisões, revistas etc. Muitos estão indo a falência por comprar desenfreadamente.

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