Novos Testes de Identificação do Vírus HPV


Pela primeira vez desde o fim da década de 40, quando o exame de papanicolau entrou para a prática médica, surge uma tecnologia tão ou mais eficaz na prevenção ao câncer de colo do útero. Desenvolvido na década de 20 pelo médico grego George Papanicolau, pesquisador da Universidade de Cornell, Nova York, o exame tradicional para detecção desse tipo de câncer apresenta um índice de resultados falsos negativos de 10%.  Isso significa que de cada 100 testes realizados, 10 apresentam resultados falsos negativos – ou seja, as células tumorais estão lá, mas passam despercebidas. É um índice de falha alto, quando se considera, sobretudo, o elevado número de vítimas de câncer de colo uterino no país. Todos os anos 20.000 brasileiras recebem o diagnóstico da doença  e 5.000 morrem em decorrência dela.
Uma nova geração de testes tem conseguido reduzir a margem de erro para 1%. Por serem totalmente automatizados, esses exames praticamente eliminam o risco de erro humano. Eles conseguem detectar a presença do vírus HPV (Vírus do Papiloma Humano) antes de qualquer modificação na arquitetura das células do colo do útero. Transmitido principalmente nas relações sexuais, o HPV está associado a 99% dos casos de câncer de colo uterino. Além de indicarem a contaminação, os exames mais modernos  são capazes de determinar o tipo de HPV responsável pela infecção (existem cerca de 140 deles) e, com isso, a probabilidade de a paciente vir a desenvolver um tumor maligno. Ao esquadrinharem o material genético do vírus, antecipam o diagnóstico da doença em 20 anos  (o método tradicional só é capaz de identificá-la 10 anos antes).
De cada 100 mulheres submetidas ao papanicolau, 3 apresentam alguma lesão celular. Essas pacientes passam, então, por uma colposcopia, que utiliza uma lente de aumento para localizar a região do colo do útero da qual deve ser retirado o material para biópsia. Em caso de câncer, a área doente é cauterizada ou removida cirurgicamente. Com os novos exames, a lógica de investigação é inversa. Primeiro, procura-se o vírus. O resultado positivo para os tipos mais perigosos de HPV, especialmente os de números 16 e 18, serve de alerta para o ginecologista.
Desde 2009, o exame molecular automatizado do HPV já é usado no sistema público de saúde de vários países da Europa. Por aqui, a nova tecnologia já está disponível apenas em certas clínicas particulares e custa 90 reais, o equivalente ao cobrado hoje pelo papapnicolau em laboratórios privados. Para os padrões do nosso SUS (Sistema Único de Saúde), que paga 7 reais pelo exame tradicional, 90 reais representam uma fortuna. A expectativa é que, com a disseminação da técnica, seu preço caia para 10 reais, num processo semelhante ao ocorrido com o teste de HIV, que chegou ao país em 1996 pelo equivalente a 255 reais e hoje custa 20 reais.
Até recentemente, a infecção pelo HPV era considerada um problema tipicamente feminino. Um artigo publicado na revista científica Lancet derrubou essa tese. Ao acompanhar  1.159 homens aparentemente sem nenhum problema de saúde, entre 18 e 70 anos, pesquisadores brasileiros, americanos e mexicanos constataram que 50% dos voluntários estavam contaminados  pelo HPV - entre os pacientes masculinos é de câncer de pênis, um tumor raro.
 Mesmo com a adoção de novas tecnologias para detecção do vírus HPV, o método de papanicolau ainda se faz imprescindível, pois é necessário confirmar se o tipo de vírus identificado causou ou não alterações nas células uterinas após um periodo de um ano. Apesar de Papanicolau ter associado as alterações morfológicas observadas nas células do colo uterino ao câncer nos anos 30, somente na década de 70 que a relação entre a doença e o HPV veio a ser estabelecida pelo médico alemão Harald zur Hausen, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina  de 2008 pela descoberta.

Comentários

  1. Realmente são avanços tecnologicos que salvam vidas! A prevenção ainda é o melhor remédio!

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