Genética a Serviço da História do Tráfico de Escravos

Rede de pesquisa envolvendo geneticistas, historiadores, arqueólogos e antropólogos europeus é criada para investigar a história dos negros no continente americano e o tráfico transatlântico de escravos

Uma nova rede de pesquisa com financiamento europeu reúne geneticistas, historiadores, arqueólogos e antropólogos para investigar a história do tráfico transatlântico de escravos, quando entre os séculos XV e XIX, 12,5 milhões de africanos foram retirados de suas terras e vendidos como escravos do outro lado do Atlântico.
O projeto Eurotast (Europe and Trans Atlantic Slave Trade) da Marie Curie Initial Training Network visa formar uma nova geração de pesquisadores ao ganhar uma melhor compreensão da história do tráfico transatlântico de escravos, como ele era operado e como essa prática moldou a história da população do continente americano.
Entre as habilidades e ferramentas que os geneticistas vão utilizar, está a genômica de ponta, a fim de sondar as origens africanas dos cativos. Embora existam registros históricos extensos sobre o que aconteceu, eles são fragmentados, como explicou à Nature News o coordenador do projeto, Hannes Schroeder, do Centre for GeoGenetics. "Por exemplo, eles tendem a citar apenas o porto de exportação, em vez da origem étnica ou geográfica da pessoa. A ideia é que, levando em consideração a genética, tenhamos uma visão diferente", detalhou.
Grande parte do projeto terá na verdade o foco sobre a genética. Por exemplo, algumas equipes vão estudar o DNA de populações modernas, como os Noir Marron da Guiana Francesa, que são descendentes diretos de escravos que fugiram de plantações de propriedade holandesa e que, desde então, se mesclaram muito pouco com outros grupos.
Outros pesquisadores vão se dedicar ao DNA antigo dos escravos enterrados no Caribe. O Centro de GeoGenética tem mais de 300 mil marcadores informativos de ancestralidade, que vão ajudar os pesquisadores a distinguir entre as pessoas que se originaram em várias partes da África Ocidental.
Schroeder teve a ideia de executar o projeto depois de investigar isótopos nos ossos e dentes dos escravos enterrados em Barbados. Os arqueólogos queriam conseguir diferenciar entre os cativos da primeira geração e os descendentes. Schroeder estudou os restos mortais de 25 indivíduos. Após a análise dos isótopos de estrôncio, carbono, nitrogênio e oxigênio, ele concluiu que 7 deles eram cativos de primeira geração que haviam nascido na África, incluindo um que havia sido transportado enquanto criança.
Outros grupos, incluindo os bioarqueologistas das universidades de Bristol e de York, no Reino Unido, vão examinar os restos mortais dos escravos africanos para estudar a saúde deles e a qualidade de vida física. Eles vão analisar as proteínas e os isótopos para determinar as origens geográficas e identificar doenças como o escorbuto e a tuberculose.
Uma característica única do projeto é que a pesquisa será compartilhada amplamente por meio de projetos escolares, exposições em museus e produtos de mídia. Os pesquisadores serão encorajados a documentar as investigações e as conclusões por meio de podcasts e vídeos diários.
"A escala deste projeto é ambiciosa e é essencial que os resultados atinjam um grande público além dos muros da academia", disse a professora Helen Weinstein. Segundo ela, ao usar produtos populares de mídia, eles não só vão estar envolvidos com um grande público, mas também estarão desenvolvendo "materiais de aprendizagem para museus e escolas na Europa, África e Caribe, que terão um impacto significativo sobre a forma como esta história traumática é ensinada e compreendida por todo o mundo".

fonte: Isaude.net

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