quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Saiba Como É Feito o Transplante de Medula Óssea


Coleta das células progenitoras estimuladas pela máquina de aférese, uma das formas de se coletar material para o transplante de medula óssea

O transplante de medula é um procedimento indicado para casos agressivos de câncer cuja doença não foi totalmente eliminada na quimioterapia.
O autotransplante, ou transplante autogênico, consiste na colheita da medula do próprio paciente, de onde serão retiradas células-tronco que serão congeladas e reimplantadas na medula no dia do transplante.
É na medula óssea que se produzem todas as células do sangue (leucócitos, plaquetas e hemácias), fundamentais para a sobrevivência, explica Luis Fernando Bouzas, diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Inca (Instituto Nacional do Câncer) e coordenador do Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). "Como colhe a medula e congela, o paciente tem a oportunidade de receber uma dose de quimioterapia maior e mesmo assim se resgata a medula, caso tenha sido afetada. Mas o paciente só pode receber o transplante se a doença estiver controlada e não tiver atingido a medula. E isso se dá pelas sessões de quimioterapia feitas previamente. Caso contrário, o material colhido estaria doente e não poderia ser reintroduzido no corpo', explica Bouzas.
Conheça agora as etapas do processo.

Primeira etapa: colheita da medula óssea

Constatada a possibilidade, a colheita da medula pode ser realizada de duas maneiras: pela aspiração do osso da bacia com uma agulha especial (método mais tradicional), de onde serão retiradas as células, ou pela coleta de sangue mobilizado dentro da medula. Retira-se uma quantidade de medula (tutano do osso) equivalente à uma bolsa de sangue. Para que o doador não sinta dor, é realizada anestesia e o procedimento dura em média 60 minutos. A sensação do doador é de média intensidade e permanece em média por uma semana (2 a 14 dias), semelhante a uma queda ou uma injeção oleosa. Não fica cicatriz, apenas a marca de 3 a 5 furos de agulhas. É importante destacar que não é uma cirurgia, ou seja, não há corte, nem pontos. O doador fica em observação por um dia e pode retornar para sua casa no dia seguinte.
O segundo método tende a ser mais eficaz, mas não é usado em todos os lugares porque requer mais tecnologia, explica o coordenador do Redome. Ele se resume a administração de uma medicação conhecida como fator de crescimento, que estimula a medula a produzir mais células que passarão a circular pela corrente sanguínea. O doador recebe um medicamento por 5 dias que estimula a multiplicação das células- mãe. Essas células migram da medula para as veias e são filtradas. Uns cinco dias após o estímulo, médicos retiram amostras desse sangue por meio de uma máquina (aférese) capaz de separar as células-tronco, que depois são congeladas para serem usadas no dia do transplante.O processo de filtração dura em média 4 horas, até que se obtenha o número adequado de células. O efeito colateral mais frequente deste procedimento é devido ao uso do medicamento ,que em alguns doadores pode dar dor no corpo, como uma gripe."Quando você faz essa colheita de sangue periférico, você tem uma melhor seleção da célula-tronco porque mesmo que tenha uma célula doente na medula, ela não é estimulada'.
Os riscos para o doador são praticamente inexistentes. Até hoje não há nenhum relato de nenhum acidente grave devido a esse procedimento. No caso da punção diretamente dos ossos da bacia, os doadores de medula óssea costumam relatar um pouco de dor no local da punção.
O médico vai informar sobre qual a melhor forma de coleta de células. Dependendo da doença e da fase em que se encontra, o paciente pode se beneficiar mais com uma forma de doação.

Segunda etapa: “superquimio”

O próximo passo é submeter o paciente a uma pesada quimioterapia, administrada por dias com vários medicamentos. Apesar de acabar com os tumores, invariavelmente vai atacar a medula, destruindo também a imunidade do paciente. É por isso que nesse meio tempo o paciente tem que ficar praticamente isolado, na UTI do hospital, à base de antibióticos e outros medicamentos que o impeçam de sofrer infecções e morrer.
"Normalmente o doente tolera porque é uma carga de quimioterapia calculada. Damos os medicamentos porque ele vai sofrer com feridas na boca, vômitos, diarreia e com a maior suscetibilidade de infecções. Os primeiros quinze dias são os mais críticos".
Durante todo esse período, o paciente fica internado, a fim de se preparar para o transplante.

Terceira etapa: transplante e recuperação

Comparado ao transplante de medula com doador, o autogênico é mais simples por não haver risco de rejeição, já que as células transplantadas são do próprio paciente, explica Bouzas.
Entretanto, sua fase mais crítica é a do pós-transplante, já que as células demoram por volta de 15 dias para se reproduzir e chegar à corrente sanguínea. Antes disso, o paciente precisa continuar isolado para evitar infecções.
"De doze a quinze dias é que começa a recuperar as células da medula. A gente chama isso do dia da pega, quando o paciente começa a ter as células de novo".
O momento, sempre muito celebrado, é o começo da vida sem o câncer. Segundo Cármino Antonio de Souza, presidente da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia “boa parte dos pacientes de 60% a 80% com linfoma voltam à vida normal”. De 25 milhões de casos no mundo, 4% levam a óbito e o restante chega à cura ou mantém a doença controlada.
Fonte: Portal R7

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