Com Medo do Bioterrorismo

Temor de que vírus seja alvo de bioterrorismo interrompe estudo da gripe aviária.
Cientistas sucumbiram ao medo generalizado formado desde que reportagens abriram as discussões em torno dos riscos do projeto

Pesquisadores que estudam uma versão potencialmente mais letal do que a gripe aviária e que pode ser transmitida pela via aérea suspenderam estudos por causa de preocupações de que o vírus mutante criado por eles possa ser alvo de bioterrorismo ou escapar por acidente do laboratório.
Em carta publicada nas revistas Nature e Science no dia 20 de janeiro de 2012, 39 cientistas defenderam a pesquisa como crucial para os esforços de saúde pública, incluindo os programas de vigilância para detectar quando o vírus da gripe H5N1 pode sofrer mutação e causar uma pandemia.
No entanto, de acordo com informações publicadas pela Reuters, a equipe de cientistas sucumbiu ao medo generalizado que se formou desde que reportagens abriram as discussões em torno dos riscos do projeto.
Em entrevista à agência de notícias, o virologista Ron Fouchier relata que a decisão de suspender a pesquisa por 60 dias "foi totalmente voluntária". Segundo ele, a pausa é para permitir que as agências de saúde global e os governos avaliem os benefícios da pesquisa e acordem formas de minimizar o seu risco.
"É a coisa certa a fazer, dadas as controvérsias nos EUA", disse Fouchier.
Em dezembro, o U. S. National Science Advisory Board for Biosecurity pediu à Science e à Nature para censurar detalhes da pesquisa que foram submetidas para publicação.
Especialistas em biossegurança temem que uma forma do vírus, transmissível por meio de gotículas no ar, possa provocar uma pandemia pior do que o surto de gripe espanhola 1918-19, que matou cerca de 40 milhões de pessoas.
"Há obviamente uma polêmica aqui sobre o equilíbrio entre risco e benefício. Acredito firmemente que esta pesquisa precisa continuar, mas isso não significa que não se possa pedir um tempo", disse o virologista Daniel Perez, da Universidade de Maryland, que assinou a carta de apoio à moratória.
A decisão dos pesquisadores muda o foco do debate de se os estudos devem ser tornados públicos para se eles deveriam mesmo ter sido feitos, dada a possibilidade teórica de que um vírus altamente infeccioso possa ser roubado ou escapar de um laboratório.
Devido aos recentes acontecimentos mundiais que levaram pânico e medo às populações do planeta, o bioterrorismo ou terrorismo químico-biológico como também é chamado volta e meia aparece nas manchetes. Bioterrorismo é conceituado como sendo a liberação intencional de produtos químicos ou agentes infecciosos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
Esses agentes causadores de infecções são liberados no ar ou, principalmente, através da contaminação de centrais de abastecimento de água. Isso tudo ocorre com a clara intenção de prejudicar ou até mesmo aniquilar populações inteiras de um país alvo com a possibilidade de difundir doenças por todo o mundo através da disseminação do agente infeccioso. Isto é explicado da seguinte maneira: uma pessoa pode ter contraído uma doença e não tendo conhecimento do contágio, fazer uma viagem para outro país e levar consigo o agente infeccioso. Podemos citar também o envio de cartas contaminadas, como aconteceu após o 11 de setembro nos Estados Unidos.
Existem vários agentes infecciosos como bactérias e vírus que podem ser disseminados com facilidade, como por exemplo, a bactérias (bacilo) anthrax, e o vírus da varíola, este apesar ser uma doença erradicada no mundo e sua manipulação ser restrita a centros de pesquisa como o CDC em Atlanta/USA, ainda é manipulado em laboratórios não oficiais de paises que dedicam a guerra biológica . Existem microrganismos causadores de doenças que ainda estão em estudo e que podem ser utilizados confins não pacíficos. Hoje, as condições para diagnosticar uma epidemia, e as condições de controlar a disseminação dos diversos agentes infecciosos torna-se bastante complexo visto que as aglomerações urbanas, pobreza e outros fatores sociais e econômicos são empecilhos graves para contenção de epidemias.
Fontes : Isaude.net e Fiocruz

Nota:
Em 03/04/2012 o National Science Advisory Board for Biosecurity (NSABB), dos Estados Unidos, recomendou a publicação da versão revisada de duas pesquisas científicas que criaram uma estirpe mais letal do vírus da gripe aviária (H5N1).  
A divulgação na íntegra dos estudos havia sido desaconselhada no final de 2011 porque o NSABB temia que a publicação colocasse em risco a biossegurança e a saúde pública mundial. Em nota, o Conselho afirma que os dados descritos não parecem proporcionar informação que permitiria o mau uso das pesquisas e que colocassem em perigo a saúde pública ou a segurança nacional.
Normalmente, o vírus H5N1 é transmitido entre aves e o contágio de humanos ocorre raramente, sendo assim, se a doença atinge uma pessoa ela é considerada altamente letal.
Segundo o pesquisador Ron Fouchier, houve muita incompreensão sobre o vírus mutante que ele criou e a versão inicial da pesquisa também poderia ter sido mais clara.
Reportagens divulgadas pela mídia mostraram que o vírus, em sua forma aerossol, matou todos os furões expostos a ele. Fouchier afirma que o vírus não matou animais nessa situação, mas foi letal apenas quando pulverizado diretamente no nariz dos furões.
O NSABB diz que apoia fortemente a "comunicação irrestrita de pesquisa a menos que a informação possa ser diretamente utilizada para representar um risco significativo e imediato para a saúde e a segurança pública".
 Fonte: BBC

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