A Biomimética e a Descoberta Biorracional de Medicamentos

Defensora da biomimética aposta na investigação ecológica como um ponto de partida para a descoberta de novos medicamentos


Janine M. Benyus, escritora científica, defende em seu livro Biomimética: Inovação Inspirada pela Natureza a busca pelo equilíbrio inicial que existia na natureza antes da Revolução Industrial e Tecnológica. Segundo ela, esta busca vem contra a tendência moderna de dominar ou melhorar a natureza, e se mostra como uma verdadeira revolução na interação Homem x Meio ambiente. “Essa respeitosa imitação é uma abordagem totalmente nova. Diferentemente da Revolução Industrial, a Revolução Biomimética inaugura uma era cujas bases assentam não naquilo que podemos extrair da natureza, mas no que podemos aprender com ela”, afirma.

A palavra que vem do grego bios (vida) e mimesis (imitação) resume o simples conceito da Biomimética: a natureza como inspiração inventiva. Apesar disso, a aplicação desta inovação é um pouco mais complexa e influencia diretamente nos hábitos da humanidade, e foi, mergulhando o conceito em tecnologia, que saíram os resultados incríveis desta fusão entre a inspiração pelo natural e as construções humanas.
Segundo a autora, "uma das formas  mais promissoras de explorar o mundo natural, e de simplificar as pesquisas, é chamada de prospecção biorracional de medicamentos. Trata-se de uma forma de pesquisa que nos desafia a usar informações  do ecossistema inteiro para descobrir moléculas visadas. Exige que saibamos algo a respeito das relações que nos cercam - os laços coevolucionários entre herbívoros e vegetais -as comunidades de habitats, a inter-relação entre populações animais e o restante dos seres de determinada biota."
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Em outro trecho, diz a autora sobre este assunto: " Geralmente, as plantas que os insetos evitam comer têm defesas mais eficazes, e deveriam ser submetidas ao processo de seleção para a pesquisa de compostos secundários bioativos. Da mesma forma, uma árvore que não tenha vegetação ao seu redor  ou que se mostre claramente livre de doenças deveria ser examinada, pois pode produzir inibidores de crescimento e antibióticos que podem servir  como modelos  de novos agentes herbicidas e antimicrobianos. Quando as formigas rejeitam determinada folha caída ao chão, ou quando predadores evitam os ovos de um inseto quando ele está coberto com a saliva da mãe, a química está em ação, e a ecologia está nos fornecendo uma pista".

Janine Benyus afirma que "os índios americanos não tiveram dificuldade para aceitar a biomimética. Há muito tempo eles entenderam que eram levados aos seus medicamentos pelos animais, principalmente pelo urso. Segundo consta, tribos africanas também recorriam aos animais (de criação) para saber o que comer depois que a seca arrasava suas plantações." E, mais adiante, indaga: "Por que levou tanto tempo para que o restante de nós aceitasse o que é tãoobvio - o fato de que os animais que vivem aqui a milhões de anos podem levar-nos ao conhecimento de novos alimentos e medicamentos? Talvez seja a velha crença de que os animais nada têm a nos ensinar."
Veja também no Biorritmo:
Biomimética: Imitando a natureza para criar tecnologias  (10/01/2011)

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