Seguindo a Nossa Pegada Ecológica


A Pegada Ecológica traça uma comparação entre o consumo humano e a capacidade da natureza de suportá-lo. O resultado dessa conta é o indicador do impacto ambiental que cada um exerce sobre o planeta.

A pegada ecológica de um país, de uma cidade ou de uma pessoa, corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida. Em outras palavras, a Pegada Ecológica é uma forma de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza”, em média, para se sustentar. Para calcular as pegadas foi preciso estudar os vários tipos de territórios produtivos (agrícola, pastagens, oceano, florestas, áreas construídas) e as diversas formas de consumo (alimentação, habitação, energia, bens e serviços, transportes e outros). As tecnologias usadas, os tamanhos das populações e outros dados, também entraram na conta. Cada tipo de consumo é convertido, por meio de tabelas específicas, em uma área medida em hectares, Além disso, é preciso incluir áreas usadas para receber os detritos e resíduos gerados e reservar uma quantidade de terra e água para a própria natureza, ou seja, para os animais, as plantas e os ecossistemas onde vivem, garantindo a manutenção da biodiversidade.
A pegada ecológica não é uma medida exata e sim uma estimativa. Ela nos mostra até que ponto a nossa forma de viver esta de acordo com a capacidade do planeta de oferecer, renovar seus recursos naturais e absorver os resíduos que geramos por muitos e muitos anos. Isto considerando que dividimos o espaço com outros seres vivos e que precisamos cuidar da nossa e das próximas gerações.
A população brasileira já ultrapassou o que seria considerada uma Pegada Ecológica per capita máxima. Enquanto o valor calculado para garantir a sustentabilidade é de 2,1 hectares/ano por pessoa, a média brasileira é de 2,4 hectares/ano por pessoa. É o que revela o estudo “living the planet” da rede WWF divulgado em 2008. As cinco maiores pegadas per capita nacionais são dos Emirados Árabes, dos Estados Unidos, do Kwait, da Dinamarca e da Austrália. As cinco menores pertencem a Maláui, ao Afeganistão, ao Haiti, ao Congo e a Bangladesh.

Composição da Pegada Ecológica

TERRA BIOPRODUTIVA: Terra para colheita, pastoreio, corte de madeira e outras atividades de grande impacto.
MAR BIOPRODUTIVO: Área necessária para pesca e extrativismo.
TERRA DE ENERGIA: Área de florestas e mar necessária para absorção de emissões de carbono.
TERRA CONSTRUÍDA: Área para casas, construções, estradas e infra-estrutura.
TERRA DE BIODIVERSIDADE: Áreas de terra e água destinadas a preservação da biodiversidade.

A Pegada Ecológica traça uma comparação entre o consumo humano e a capacidade da natureza de suportá-lo. O resultado dessa conta é o indicador do impacto ambiental que cada um exerce sobre o planeta.
Esse cálculo tenta mensurar conseqüências ambientais de simples atitudes do dia-a-dia até impactos maiores causados pelo desenvolvimento industrial. Assim, pela Pegada Ecológica é possível avaliar como a nossa alimentação, a energia que utilizamos, a maneira pela qual nos transportamos, entre outros fatores, impactam o meio ambiente.
De modo geral, sociedades altamente industrializadas, ou seus cidadãos, “usam” mais espaços do que os membros de culturas ou sociedades menos industrializadas. Suas pegadas são maiores, ao utilizarem recursos de todas as partes do mundo, afetam locais cada vez mais distantes, explorando essas áreas ou causando impactos por conta da geração de resíduos. Como a produção de bens e consumo tem aumentado significamente, o espaço físico terrestre disponível já não é suficiente para nos sustentar no elevado padrão atual. Para assegurar a existência das condições favoráveis à vida precisamos viver de acordo com a “capacidade” do planeta, ou seja, de acordo com o que a Terra pode fornecer e não com o que gostaríamos que ela fornecesse. Avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite é essencial, pois só assim poderemos saber se vivemos de forma sustentável.
Em 1961, quando os cálculos da Pegada Ecológica começaram a ser realizados pela Global Footprint Network, a população humana já usava 70% da capacidade produtiva anual da Terra. Mas em 19 de dezembro de 1987 foi a primeira vez em que se registrou um nível de consumo de recursos maior do que o planeta é capaz de renovar no período de doze meses.
Desde então, esse cálculo marca o dia do ano em que a humanidade já usou todos os recursos que a natureza irá gerar no período de 12 meses – o chamadoEarth Over Shoot Day”.
Também chamada de Dia "D" do Consumo, a data de esgotamento dos recursos terrestres acontece cada vez mais cedo. Em 1995, ele pulou para o dia 21 de novembro. E em 2007 chegou à marca histórica de 6 de outubro. Em 2008, esse dia foi 23 de setembro. 
Essa diferença entre o que o planeta é capaz de regenerar e o consumo efetivo das populações humanas provoca um saldo ecológico negativo, que vem se acumulando ano após ano, desde a década de 80, e compromete, no longo prazo, a capacidade de sobrevivência da humanidade e de manutenção da vida no planeta como a conhecemos hoje.
O relatório Living Planet 2008 (Planeta Vivo), divulgado em outubro de 2008 pela organização internacional WWF, afirma, com base em cálculos realizados a partir da Pegada Ecológica, que a partir de 2030 a demanda por recursos naturais será o dobro do que a Terra pode oferecer, caso o modelo atual de consumo e degradação ambiental não seja superado. Atualmente, já demandamos 30% a mais da capacidade do planeta.
 Fonte:  site Mudanças Climáticas

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