Poderosos, Mas Nem Tanto...

Apesar de fascinarem a todos, os heróis de histórias em quadrinhos exibem superpoderes que são impossíveis de serem reproduzidos na vida real pela ciência atual

Em sua coluna de agosto na Revista Ciência Hoje On-Line, o físico Adilson de Oliveira, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), fala sobre os poderes dos super-heróis de histórias em quadrinhos e sobre as (im)possibilidades de serem reproduzidos na vida real. Nas tiras de jornais ou em revistas exclusivas surgiram heróis e vilões com poderes sobre-humanos, como capacidades de voar, levantar objetos pesando muitas toneladas, vencer grandes distâncias rapidamente, entre outros. Os criadores dos super-heróis explicam a origem dos superpoderes de diversas formas. Alguns decorrem da ação de radiações ou drogas que provocam alterações no organismo. Em outras situações, os poderes surgem de uma ‘herança genética’ ou processo evolutivo diferenciados, como a de um ser nascido em outro planeta. Eles podem ser ainda ‘fabricados’ com a ajuda de tecnologias avançadas. Porém, do ponto de vista científico, a maioria dos superpoderes apresentados pelos heróis das HQ continuarão existindo apenas dentro do universo da ficção.
Vejamos o Superman, um personagem que surgiu em 1938, em uma história em quadrinhos. Por ter nascido em um planeta diferente (Kripton), com uma gravidade muito maior do que a da Terra e na órbita de uma estrela gigante vermelha, ao ser enviado ao nosso planeta, com ação da gravidade menor e na órbita de uma estrela amarela (o Sol), apresenta características especiais. Os superpoderes do Superman são realmente fantásticos. Ele pode voar em altíssimas velocidades (algumas vezes até mais rápido do que a luz) e tem superforça, supervisão, superaudição, visão de calor e de raios X. Será que tais poderes seriam possíveis na vida real?
"Infelizmente, do ponto de vista da física, as habilidades do Superman são impossíveis", diz Adilson de Oliveira em sua coluna. "Por exemplo, seu voo acontece sem que nada o impulsione. Todos os movimentos decorrem da ação de uma única força. Para um avião a jato voar, por exemplo, ele usa turbinas que sugam o ar e, em seguida, o expele com grande força, para que ocorra uma reação, igual e contrária – como prediz a terceira Lei de Newton (conhecida também como princípio da ação-reação) – que o impulsiona para frente.
Da mesma forma, quando caminhamos, a força de atrito que existe entre os nossos pés e o chão reage à força que aplicamos nesse último e nos faz andar. No caso do Superman, não observamos nada parecido. Ele simplesmente voa.
Entre os outros poderes, a visão de raios X talvez seja o mais difícil de justificar. Quando observamos qualquer objeto, só o vemos porque ele está refletindo ou emitindo luz. Mesmo que os olhos do Superman emitissem raios X, estes não refletiriam na matéria da mesma maneira que a luz visível. "
O físico acrescenta: "Ao incidir raios X sobre um objeto, como quando fazemos uma radiografia ou tomografia do nosso corpo, o processo é diferente. Uma parte da radiação atravessa o corpo e a outra é absorvida. Dependendo da forma que essa radiação é absorvida pelos diferentes tecidos, ocorrem os contrastes que sensibilizam o filme fotográfico (ou detector) colocado atrás do corpo, criando a imagem."
Em relação ao personagem Homem de Ferro, o colunista tece os seguintes comentários: "Quando o personagem foi criado, na década de 1960, a mais avançada tecnologia da época eram os transistores. Transistores são dispositivos feitos de materiais semicondutores que podem ter a sua resistência elétrica ajustada para se comportar de diversas formas, de metais a isolantes. Essa propriedade permitiu a descoberta do efeito transistor, que faz com que esse dispositivo possa controlar o fluxo e amplificação da corrente elétrica em um circuito eletrônico. A armadura do Homem de Ferro levava transistores especiais que transformavam a carga elétrica das baterias nas incríveis capacidades de voar, disparar raios, entre outras. Para essas proezas, não consigo imaginar o tamanho que deveria ter a bateria a ser carregada." E acrescenta: " Por outro lado, nas recentes aparições do Homem de Ferro no cinema, as tecnologias usadas são mais compatíveis com os seus poderes. Na atual versão, a fonte de energia é um 'reator ark' – estampado em seu peito –, que parece funcionar com fusão nuclear a frio, pois, para realizar todos os seus feitos, necessitaria de uma enorme quantidade de energia, como as produzidas no processo de fusão.
Para finalizar o físico comenta sobre os poderes do Homem Aranha, um dos super-heróis de maior sucesso cinematográfico da atualidade:" Os poderes do Homem Aranha surgiram a partir da picada de uma aranha geneticamente modificada. O veneno da aranha alterou o seu código genético e lhe conferiu poderes especiais, como a capacidade de escalar paredes, força proporcional a uma aranha de tamanho humano e uma capacidade de pressentir quando está em perigo. Será que algo normalmente fatal poderia transformar dessa forma o corpo de uma pessoa?
"Qualquer substância que ingerimos, seja por via oral ou intravenosa, pode afetar a bioquímica do corpo, ou seja, modificar os processos de funcionamento do organismo. Nenhuma substância conhecida poderia, em dose e escala de tempo tão pequenas, alterar a estrutura do código genético de todas as células do corpo e nos transformar em outra espécie, que é o caso do Homem-Aranha. 
A ação de uma substância estranha normalmente prejudica o organismo. Reorganizar toda a estrutura molecular do DNA, que contém todas as informações genéticas de um indivíduo, de forma a criar uma espécie aprimorada, é muito difícil de acontecer. Seria também pouco provável uma habilidade de percepção extrassensorial seletiva, como é o caso do ‘sentido de aranha’ que lhe permite perceber perigos iminentes"., explica Adilson de Oliveira.
Fonte: Ciência Hoje On-Line (adaptado)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Mariposa da Morte

Tecnologia Indígena

Sensibilidade e Especificidade