As Novas Tarântulas do Brasil

Pesquisador brasileiro descreve nove espécies de aranhas-caranguejeiras arborícolas das regiões Nordeste, Sudeste e Centro-oeste.

O biólogo Rogerio Bertani, do Laboratório Especial de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan, descreveu, de uma só vez em um artigo, nove espécies de um grupo superespecífico de aranhas – aranhas-caranguejeiras arborícolas da mata atlântica e do cerrado. O trabalho foi publicado em outubro na revista Zookeys e descreve minuciosamente em 94 páginas os animais encontrados.

Das nove espécies descritas no trabalho, a maioria foi encontrada em coleções científicas de instituições como o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e o próprio Instituto Butantan, em São Paulo. Outras foram encontradas durante expedições científicas realizadas pelo próprio Bertani em áreas pouco amostradas – foi o caso da Mata do Pau-Ferro em Areia, na Paraíba, dos campos rupestres na Chapada Diamantina, na Bahia, e do Delta do Paranaíba, no Piauí. Por fim, o biólogo recebeu também a colaboração de colegas que encontraram caranguejeiras em seus trabalhos de campo e enviaram-nas ao Butantan.
As tarântulas descritas, todas endêmicas das regiões de coleta, foram classificadas em três gêneros. O primeiro deles, Typhochlaena, inclui as menores aranhas-caranguejeiras arborícolas conhecidas, com apenas dois centímetros de corpo. São também as mais coloridas e podem apresentar pintas rosadas, amarelas e azuis. Até agora, conhecia-se apenas uma espécie, e Bertani descreveu mais quatro, todas bastante raras: T. amma, T. costae, T. curumim e T. paschoali. “O estudo mostra que se trata de um grupo muito antigo, originado antes dos demais grupos aparentados”, detalha.
Já o gênero Iridopelma inclui espécies maiores, que medem de 10 a 12 centímetros com as patas esticadas. As que vivem na mata atlântica costumam juntar duas folhas das árvores com fios de seda, formando uma espécie de abrigo, enquanto aquelas encontradas em regiões com menos árvores vivem dentro de bromélias – é o caso da Iridopelma katiae, coletada em uma área de campo rupestre no alto da Chapada Diamantina. Desse gênero, Bertani descreveu ainda I. marcoi, I. oliveirai e I. vanini.
Por fim, as bromélias são lar também das espécies do gênero Pachistopelma, incluindo a P. bromelicola, descrita no artigo e encontrada na região Nordeste, sobretudo nos estados de Bahia e Sergipe. A espécie guarda duas semelhanças com as aranhas do gênero Iridopelma: o tamanho e a aparência ao nascer – em ambos os gêneros, os filhotes têm cor verde metálica, ganhando aparência mais discreta quando adultos.
Além das nove espécies descritas, o trabalho inclui novas descrições para três espécies previamente identificadas, T. seladonia, I. hirsutum e I. zorodes. “As descrições originais, muito antigas, descreviam essas espécies muito superficialmente e não incluíam figuras que possibilitariam seu reconhecimento e diferenciação das demais espécies”, relata Bertani. “Agora, a nova publicação torna possível a identificação de todas as espécies desses gêneros.”
Até agora, 2.700 espécies de aranhas-caranguejeiras já foram descritas em todo o mundo, das quais cerca de 300 vivem no Brasil – a maioria dentro de tocas escavadas no chão, debaixo de rochas ou troncos caídos. Apenas uma minoria é formada por aranhas arborícolas, que ocupam árvores e plantas como bromélias.
Em relação às outras tarântulas, as arborícolas são mais leves e têm as patas anteriores mais largas, o que lhes permite andar com facilidade em superfícies verticais. Elas não têm espinhos nas pernas como as outras caranguejeiras, mas apresentam tufos nas pontas das patas que funcionam como ventosas para se fixarem às árvores.
As tarântulas se diferenciam das outras aranhas principalmente pelo tamanho – são caranguejeiras algumas das maiores espécies do mundo, embora existam espécies pequenas – e pela posição das quelíceras (ferrões), projetadas para frente. Embora metam medo em muita gente, as caranguejeiras, em sua maioria, não representam perigo algum aos seres humanos. A única espécie cujo veneno pode causar lesões graves vive na Austrália.
Fonte: Ciência Hoje On-Line  (artigo adaptado)

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