Nascidos Para Curar


Bebês são geneticamente selecionados para nascerem sadios e serem doadores de medula e tecidos aos irmãos. Brasil já tem 20 casos em andamento


Elaborados sob medida em laboratórios, eles são concebidos via fertilização assistida com seleção prévia de embriões. Seus tecidos (sangue do cordão umbilical ou parte da medula óssea) são usados, tempos depois do nascimento, em transplantes para tratar ou curar irmãos mais velhos portadores de doenças genéticas.

Além da garantia de que as crianças nasçam saudáveis e não herdem os genes vindos do pai e da mãe associados à doença familiar, o processo seleciona gametas para que o bebê seja um doador de tecidos 100% compatível com o irmão. Sem a técnica, chamada de diagnóstico pré-implantacional, as chances naturais de estar apto à doação seriam de 25%.
Maria Clara, nascida e programada no Brasil, foi a primeira da América Latina e já mudou o curso da doença sanguínea da irmã mais velha, a Maria Vitória, com 6 anos. Atualmente, são ao menos 20 casais brasileiros que estão passando por este processo com o intuito de gerar um filho para salvar o outro.
Adelino Amaral, consultor do Conselho Federal de Medicina (CFM) e presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, enxerga nestes casos um novo marco das técnicas de reprodução humana.
“Ninguém quer um filho doente. O diagnóstico prévio evita 200 doenças genéticas no bebê. Atrelar esta prevenção à viabilidade de transplante de um irmão é extremamente positivo”, considera o médico.
O país pioneiro na aplicação deste tipo de fertilização foi a Inglaterra, em 2001. Poucos casos surgiram depois. Alguns acabaram na Justiça por conta das questões éticas que cercam o assunto.
Por parte dos médicos e geneticistas, só é preciso cautela para que estes bebês não sejam planejados com o único propósito de servir como “medicamentos” para os familiares.
“Não há uma normativa definida e nem uma discussão intensa sobre o assunto porque ainda são raros os casos de um filho gerado para salvar o outro”, afirma a presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), Mariangela Badalotti.
“Na Inglaterra, pioneira no processo, antes era necessário que cada procedimento fosse aprovado por um órgão regulamentador da fertilização. Agora, esta aprovação prévia foi abolida.”
Por ora, não há nenhuma legislação nacional que regulamente a seleção prévia dos embriões e nem o que fazer com os materiais genéticos gerados que não são usados por não serem compatíveis ao transplante ou portadores do gene associado à doença (descartar, congelar e doar para pesquisa são três possibilidades).
Cláudia Gomes, especialista em reprodução humana do grupo Huntington, avalia que para todo procedimento que mexe com vidas é válida uma regulamentação.
“Mas antes de regular, é preciso o debate com a sociedade e com as entidades envolvidas”.
Fonte: Portal iG 

Comentários

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