A Importância Ecológica das Árvores Mortas

Cavidades abertas em árvores mortas são de grande importância para o estabelecimento de ninhos para reprodução de um número variado de espécies de aves

Uma árvore morta não é apenas uma árvore morta. Uma árvore morta no seu jardim, ou num jardim público, faz parte de um ecossistema, abriga ainda formas de vida e potenciais locais para ninhos. 

Ocos de árvores são um recurso crítico para a reprodução de muitas aves. Onde as árvores mortas estão desaparecendo, a limitação da população de aves pode ser um problema sério de conservação. Já se conhecem hoje espécies de aves com população em declínio devido à falta de árvores com ocos propícios para a construção de ninhos, como é o caso do papagaio australiano Polytelis swainsonii. A falta de ocos utilizáveis pode ser fator limitante para os psitacídeos em geral (araras, papagaios, cacatuas, maritacas e tuins), pois eles dependem de outras espécies que constroem os buracos, como pica-paus, ou de buracos produzidos ao acaso por um quebra de galhos por exemplo.
À medida que retiramos as árvores mortas do ambiente, aumentamos a competição entre estas aves que necessitam de cavidades ou ocos. Assim, o número de espécies ou de indivíduos dominantes pode afetar o número e a distribuição dos outros subordinados. Em situações extremas, uma determinada espécie pode ser extinta de áreas onde todos os locais de nidificação adequados são ocupados por concorrentes dominantes. Em situações menos extremas, o número de espécies subordinadas pode variar de um ano para outro ou de um lugar para outro. Árvores mortas, mas ainda em pé, têm sua função no ecossistema.
A quebra de galhos seja por apodrecimento ou por ventos fortes, por incrível que pareça, tem sido apontada como a melhor maneira de formar cavidades. São mais importantes até que as cavidades produzidas por pica-paus, pois são mais longevas, duram mais. Portanto, têm o potencial de hospedar por mais tempo os animais que usam cavidades, mas que não as constroem.
Fonte: O Eco (adaptado do texto do Prof. Marcos Rodrigues da UFMG)

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