A Hibridização dos Híbridos

Filhotes de felina híbrida concebidos naturalmente em cativeiro nos EUA fazem os cientistas reconsiderar a tese de que a maioria dos animais híbridos são estéreis.

Embora se sabe que a maioria dos animais híbridos não seja capaz de se reproduzir por causa de um defeito cromossômico gerado pelo número de cromossomos diferentes de espécies distintas, há vários casos de híbridos que não são estéreis, inclusive em felinos, afirma Eduardo Eizirik, professor da Faculdade de Biociências da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).
Um zoológico particular em Oklahoma, nos Estados Unidos, colocou filhotes de tigres e leões em um mesmo espaço há 14 anos. Já adultos, um tigre e uma leoa cruzaram e o resultado foram filhotes híbridos denominados "ligres". Em um novo passo no cruzamento de espécies, o leão Simba cruzou com a "ligre" fêmea Akara, que em maio desse ano deu a luz aos primeiros "liligres" que se tem conhecimento.
Os dois filhotes "liligres" nascidos no zoológico de Oklahoma constituem, portanto,  uma exceção à regra de que animais híbridos não são capazes de se reproduzir. Eles são resultado do cruzamento entre um leão e uma ligre (híbrida de uma tigre e uma leoa) e nasceram saudáveis no dia 31 de maio deste ano.
De acordo com Eduardo Eizirik, cruzamentos entre espécies feitos em cativeiro são muitas vezes feitos por inseminação artificial, mas em princípio podem ocorrer de forma natural --como foi o caso dos "liligres" americanos. De acordo com o presidente do zoológico de Oklahoma, Joe Schreibvogel, os "liligres" foram concebidos naturalmente e são animais saudáveis.
Os filhotes de Simba e Akara não são os únicos híbridos do zoológico americano. Um "ligre" já havia cruzado com um tigre branco, dando à luz um "taligre". Este animal, por sua vez, cruzou com uma tigresa que atualmente está prenha. "Só não sei o que nascerá desse cruzamento", afirmou Schreibvogel.
O prof.Eizirik conduziu um estudo, divulgado em 2013, que revelou uma zona híbrida entre o gato-dos-pampas e o gato-do-mato-grande na região central do Rio Grande do Sul. O estudo mostrou que os híbridos não são estéreis.
Fonte: UOL (com adaptações)

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