Muito Além do PIB

Economistas se reuniram na Malásia para discutir a criação de novos parâmetros para medir a riqueza das nações. Segundo eles, o PIB de um país deveria considerar a porcentagem de pais que deixam seus filhos pequenos ir sozinhos comprar um picolé no mercadinho da comunidade.

Em 1987, respondendo a um repórter do jornal britânico Financial Times sobre a razão de o desenvolvimento no Butão caminhar a passos tão lentos, o rei Jigme Singye Wangchuck teria respondido que "a Felicidade Interna Bruta é mais importante do que o Produto Interno Bruto". E teria arrematado: "Em nosso processo de desenvolvimento, a felicidade precede a prosperidade econômica."

O índice do Produto Interno Bruto (PIB), usado por todas as nações do planeta para justificar as tomadas de decisão de suas instituições, sempre foi considerado limitado. O PIB é apenas uma fórmula que determina a quantidade total da produção e do consumo de serviços e bens por meio de transações econômicas. Pouco importa se a riqueza foi originada por guerras, prostituição e devastação da natureza ou se é o resultado de um trabalho honesto e uma atividade sustentável. 
As medidas do PIB não medem a degradação do meio ambiente, o esgotamento dos recursos naturais, o agudo declínio na qualidade de vida dos cidadãos, nem os benefícios do trabalho voluntário. Foi pensando nisso que técnicos do mundo inteiro se reuniram em maio deste ano na cidade de Kuala Lumpur na Malásia para discutir novos jeitos de medir a riqueza de um país.
Muitos economistas estão descontentes com o PIB, pois, se mede corretamente a riqueza de um país produz num ano, não mede a sua capacidade de continuar a se desenvolver no futuro. O país pode ter ótimo PIB apesar da poluição, da população analfabeta, da violência; e outro pais, semelhante a esse, pode ter um PIB menor com pouca poluição, bem escolarizada e paz.
Segundo o funcionário das Nações Unidas, Anantha Duraiappah, os técnicos estão pensando em dimensões mais humanas. Eles estão vendo que outros números deveriam ser considerados além daqueles que já entram normalmente no cálculo do PIB. Vejam algumas sugestões:
1- O peso dos bebês recém-nascidos. Recém-nascidos com 1.644 gramas ou menos têm maior probabilidade de sofrer problemas de saúde mais tarde, além de ter dificuldades na escola e, já na vida adulta, no trabalho. Cada 30 gramas que um país consegue adicionar ao peso médio dos recém-nascidos aumenta bastante a probabilidade de que, anos mais tarde, a população adulta viva melhor.
2- Pássaros na cidade. É um dos indicadores mias simples e seguros da saúde do meio ambiente (o outro são as borboletas). Como os pássaros estão no topo da cadeia alimentar, ficam suscetíveis aos poluentes que se acumulam ao longo da cadeia, bem como às variações observadas na área florestal e no número de insetos.
3- Meninas adolescentes na escola.  Nos países africanos, é raro ver um grupo de meninas adolescentes indo para a escola, pois elas abandonam os estudos cedo - em geral, grávidas. Uma menina que conclui o ensino médio vai se casar 4 anos mais tarde que as outras, ter menos filhos e ganhar mais. Portanto, contar o número de meninas adolescentes que estão na escola também é uma boa maneira de mensurar a saúde de uma sociedade.
4- "O índice picolé". É como está sendo chamada o cálculo  da porcentagem de pais que deixariam seus filhos pequenos sair de casa sozinhas para comprar um sorvete ou picolé no mercadinho do bairro. Segundo eles, este índice mede o grau de paz de uma comunidade.
Fonte: Revista Cálculo

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