Por Dentro do Verme

O projeto OpenWorm , um fundo colaborativo aberto, pretende recriar em modelo computacional, a anatomia e os aspectos fisiológicos e comportamentais do C. elegans, um verme muito utilizado nas pesquisas biológicas de vanguarda

O projeto OpenWorm pretende construir o primeiro modelo computacional abrangente do Caenorhabditis elegans (C. elegans), um verme microscópico muito utilizado em pesquisas biológicas. O projeto tem este nome porque foi concebido com o propósito de reunir colaboradores de diversas áreas do conhecimento para construir o primeiro organismo virtual em computador. Entre os profissionais envolvidos estão biólogos, neurocientistas e especialistas em ciência da computação do mundo todo, os quais trabalham como voluntários.

Nos meados da década de 60, o Nobel da Medicina Sidney Brenner propôs a utilização do nematódeo C. elegans, para estudos de genética e desenvolvimento, dado possuir um conjunto de características que o tornavam o ideal para modelo biológico, nomeadamente a sua pequena dimensão (cerca de 1 mm), facilidade de observação, facilidade de cultivo e manutenção em laboratório, curto ciclo de vida com uma capacidade reprodutiva notável, presença de hermafroditas e machos (5%). 
O seu artigo seminal de 1974, “The genetics of C. elegans” abriu o caminho para a investigação nesta área. Hoje em dia, revistas como a Nature, Science, Genes and  Development, etc… publicam frequentemente os resultados da investigação com recurso a este modelo. É de notar, no entanto, que os nematódeos têm sido utilizados há muito tempo como modelo de estudo, tais como van Beneden, em finais do século XIX, que observando células de Ascaris equorum, descobriu o fenômeno da meiose. O fenômeno da fertilização foi igualmente descoberto num nematódeo. 
De acordo com Mota, desde a década de setenta até aos nossos dias, o C. elegans tem sido intensamente utilizado para estudos de anatomia interna e sua correlação com linhagens celulares e desenvolvimento. Assim, Sulston e Horvitz elucidaram a origem e desenvolvimento das 959 células somáticas que, de uma forma constante, se produzem nesta espécie (eutelia). Um dos primeiros sistemas a ser estudado foi o sistema nervoso, sendo este nematódeo o primeiro animal de que se conhece perfeitamente a identidade de todos os neurônios, a sua linhagem e o circuito nervoso global. Para além de modelo de biologia do desenvolvimento, o C. elegans tem sido alvo de estudo do fenômeno do envelhecimento celular, tendo sido possível identificar os respectivos genes. Kennyon, nos anos 90, e mais recentemente Arantes e Oliveira, têm demonstrado ser possível “prolongar” a vida deste animal de 21 para mais de 180 dias, o que corresponde a 675 anos em vida humana, através de manipulações diversas, tais como agentes mutagênicos, ablação com raio laser, etc.. Também o mecanismo de morte celular programada ou “apoptose” tem sido estudado neste modelo.
Portanto, a importância desse pequenino nematódeo na pesquisa científica é inegável. O projeto OpenWorm aceita doações em sua página oficial na internet para custear os gastos com o pagamento do pessoal voluntário e com os insumos do projeto. Eles também disponibilizam um aplicativo que permite ao colaborador acompanhar os progressos do projeto que objetiva recriar em computador a anatomia, a fisiologia e os aspectos comportamentais do nematódeo C.elegans.
Veja alguns detalhes do projeto:

Fonte: OpenWorm

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