Como se Curam as Feridas

Pesquisadores do Instituto de Bioengenharia da Catalunha (IBEC) desenvolveram uma técnica que permite monitorar a atividade das células quando  fecham as lesões dos tecidos danificados. O método pode ajudar em tratamentos para acelerar a cicatrização de feridas (crédito)

Uma característica fundamental dos organismos multicelulares é sua capacidade de auto-reparo de ferimentos através do movimento das células epiteliais para a área danificada. Um grupo de pesquisadores do Instituto de Bioengenharia da Catalunha (IBEC) desenvolveu uma nova tecnologia capaz de decifrar este mecanismo de cicatrização de feridas. Por meio deste método, eles descobriram como as células se movem e trabalham em conjunto para fechar a lesão tecidual.
O estudo, publicado este mês na revista Nature Physics , constitui um grande avanço na compreensão de como as feridas são reparadas, segundo seus autores, uma vez que pode ajudar a desenvolver tratamentos para acelerar o processo de cicatrização. Otimizar a reparação de tecidos é importante para o tratamento preciso de doenças agudas e crônicas.
Há muito se sabe que há dois mecanismos diferentes que contribuem para a cicatrização de feridas. No primeiro mecanismo, um anel de proteínas contrácteis são formadas nas bordas da ferida e pela retração desse anel se fecha a ferida da mesma maneira que um saco é fechado quando se puxa o cordão. No segundo, chamado de "migração de células", as próprias células estendem uns "braços micrométricos", conhecido como"lamelipódios", permitindo-lhes rastejar para fechar a lacuna. Em algumas feridas ambos os mecanismos operam simultaneamente, enquanto em outros atuam apenas um deles.
O grupo de IBEC, em colaboração com o Instituto de Pesquisa Biomédica (IRB), da Universidade Politécnica da Catalunha (UPC), da Universidade de Barcelona (UB), a Universidade de Paris-Diderot, o Instituto de Mecanobiologia de Cingapura e da Universidade de Waterloo no Canadá, desenvolveu, pela primeira vez, uma técnica para medir em nanoescala as forças que atuam no processo de cicatrização de feridas, e ao fazê-lo, descobriram que os dois mecanismos atualmente aceitos não suficiente para explicar o fenômeno.
"Há muito tempo já sabíamos que a cicatrização não pode ser plenamente compreendida sem uma medição direta das forças que impulsionam o movimento das células", explica Xavier Trepat, pesquisador líder do grupo de Dinâmica Integrativa Celular e Tecidual doIBEC e professor e pesquisador do ICREA
Inesperadamente, eles encontraram um novo mecanismo pelo qual as células formam arcos contrácteis supracelulares, os quais comprimem o tecido que está sob a ferida. Combinando experimentos e modelos computacionais,os pesquisadores puderam demonstrar que as contrações derivadas destes arcos permitem curar feridas de modo mais rápido e resistente.
"Nós somos os primeiros pesquisadores a desenvolver uma tecnologia para fazer essas medições, mas não tínhamos imaginado deparar como um mecanismo tão integrado em que as células vizinhas coordenam os seus movimentos físicos com tanta precisão", diz o pesquisador.A descoberta é também importante para garantir um o passo eficaz para o processo de regeneração de órgãos. Quando se fala de cicatrização normalmente se pensa em nossa pele, mas também há lesões em todos os tipos de tecidos e órgãos dentro de nós que podem estar relacionados a doenças crônicas, como diabetes ou asma. Ferimentos internos também podem favorecem a progressão do câncer já que proporcionam um ambiente físico e químico que promovem a invasão de células malignas.

Referência bibliográfica:
Artigo: “Forces driving epithelial wound healing”, Agustí Brugués, Ester Anon, Vito Conte, Jim H. Veldhuis, Mukund Gupta, Julien Colombelli, José J. Muñoz, G. Wayne Brodland, Benoit Ladoux, Xavier Trepat (2014). Nature Physics.
Fonte: Agência SINC

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