Existe Mel Venenoso?

De acordo com a procedência do néctar, as abelhas produzem mel com sabor, aroma e cor característicos. Uma pesquisa apurou que o mel possui cerca de 100 sabores e matizes diferentes. Porém, a história registra casos de intoxicações de soldados gregos por uma variedade de mel venenoso.(foto: Gavin Mackintosh)

Sim, existe. Saiba também que o mel possui quase cem sabores e nuances de cores diferentes, de acordo com um painel elaborado por provadores especializados, apicultores e entusiastas, coordenados por cientistas da Universidade de Davis, na Califórnia. 

As abelhas fazem o mel a partir do néctar das flores, que é uma substância doce e aromática usado pelas plantas para atrair agentes polinizadores. O néctar é quase inteiramente uma mistura de açúcares (frutose, sacarose e glicose).
Para amadurecer o néctar e fabricar mel as abelhas usam enzimas que trazem no saco melífico, órgão onde armazenam o doce elemento. Essas enzimas transformam a sacarose em frutose e glicose. Também oxidam  parte da glicose  e a  convertem em ácido glucônico e peróxidos. Estes ácidos protegem o mel da presença de microorganismos. Para completar a preparação, as abelhas remexem  constantemente o néctar para evaporar a água contida nele, até que o teor de umidade atinja os parcos 20% . Então, após concentrado e limpo, é estocado na colmeia.
De acordo com a procedência do néctar, o mel terá uma cor e um sabor característico. Cada flor acrescenta suas notas particulares. A flor  laranja dá um mel de paladar suave e aromático, a da acácia tem notas de limão, as da lavanda e alecrim dão um intenso aroma floral,  a do eucalipto incorpora um aroma herbal  pungente e resinoso, a da urze é ligeiramente amarga e o abacate traz tons de frutos secos.
Há alguns néctares que dão origem ao mel tóxico para os seres humanos. Na Grécia Antiga era conhecido por seus efeitos nocivos, o mel da região do Ponto, situada no no leste da Turquia. As abelhas o fabricam a partir do néctar de uma espécie local de rododendro, que produz grayanotoxinas um produto químico que se liga a canais de sódio na membrana das células, provocando mau funcionamento dos pulmões, coração, tonturas e náuseas. Segundo algumas fontes, o mel das flores de rododendro asiático causaria transtornos intestinais. Assim Xenofonte (430-355 a.C.), descreve na sua obra “Anábase” o estranho comportamento de soldados gregos, durante a Primavera de 401 a.C. nas montanhas de Colchis para encontrar o Tosão de Ouro, depois de terem comido mel de uma povoação cercada por rododendros. Todos os que comeram esse mel ficaram loucos, vomitaram e perderam as forças. No dia seguinte os gregos recuperaram a razão, e quatro dias depois, recuperam as forças. Quatro séculos depois, a mesma coisa aconteceu com o exército de Pompeu naquela região: Plínio, o Velho observou que alguns soldados foram vítimas de um mel que dá em louco. Nos dois casos tratava-se do mel de flores de Rhododendron ponticum. Mais tarde, foi reconhecido que o mel resultante desta planta possui efeitos alucinogênicos, laxantes, distúrbios do sistema nervoso, respiratório e doenças cardiovasculares.
Fonte: Blog Cóctel de Ciencias

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