A Técnica CRISP e o Destino Biológico da Humanidade

Cientistas estão apostando numa nova técnica de manipulação do DNA para decidir o futuro biológico da humanidade. A nova técnica, denominada de Crisp, permite aos cientistas substituir, corrigir ou modificar o genoma de qualquer animal.  Especificamente, eles querem utilizá-la para curar doenças genéticas na linha germinativa de seres humanos , quer dizer, não no próprio doente, e sim em seus filhos e no restante de sua descendência futura.

Uma nova técnica simples, barata e eficiente para modificar os genomas promete pela primeira vez por ao nosso alcance a possibilidade de reescrever o código genético humano: tanto nas células doentes do corpo quanto nos óvulos e espermatozoides que determinam o futuro de nossos filhos, dos filhos de nossos filhos e de toda a linhagem que emergirá deles. 
A finalidade do uso dessa técnica seria curar doenças genéticas na linha germinativa, quer dizer, não no próprio doente, e sim em seus filhos e em todos os de sua descendência futura. Parece incrível, mas os cientistas acreditam que atingimos o ponto em que uma criatura da evolução tomasse as rédeas de seu próprio destino biológico. 
A grande novidade não poderia ter nome mais frustrante: crisp, o nome em inglês das batatinhas fritas em saquinhos. Crisp é a sigla de clustered regularly interspaced short palindromic repeats, cuja tradução não ajuda muito: sequências curtas palíndromas agrupadas e regularmente espaçadas. Trata-se de uma sequência de DNA bacteriano muito particular, com trechos curtos que se repetem a intervalos regulares e que podem ser lidos da mesma maneira, mesmo que o sentido de leitura seja invertido (ou seja, como palíndromos, tais como arara, osso ou rotor, mas na linguagem do DNA).
Essas sequências se comportam na natureza como verdadeiros engenheiros genéticos: são capazes de incorporar genes exóticos, como os de um vírus, e de comandá-los, em coisas como ativá-los, reprimi-los ou introduzi-los em outro lugar do genoma. As bactérias usam crisp como um sistema de defesa contra vírus: integram seus genes e os utilizam contra o próprio agente invasor. Mas os geneticistas aprenderam a usar crisp como um veículo para substituir, corrigir ou modificar o genoma de qualquer animal.
O método foi testado com sucesso em ratos e macacos, e por isso os cientistas acreditam que é a hora de estudar se tem utilidade médica para os humanos. Especificamente, para curar doenças genéticas em sua linha germinativa, quer dizer, não no próprio doente, e sim em seus filhos e no restante de sua descendência futura. Por enquanto, isso é ilegal em todos os países que regulamentaram a embriologia humana, que são todos os que têm a capacidade técnica necessária.
Os cientistas mais diretamente envolvidos neste avanço se reuniram em 24 de janeiro de 2015 no Fórum IGI de Bioética, em Napa, Califórnia, organizado pela Innovative Genomics Initiative (IGI) da Universidade de Califórnia (em suas sedes de Berkeley e San Francisco). Seu objetivo não era tanto confirmar as imensas possibilidades da nova tecnologia de modificação de genoma – todos eles as conheciam claramente — quanto examinar com espírito autocrítico seus riscos e desenrolares imprevistos, numa tentativa de poder contorná-los enquanto é tempo. O prêmio Nobel David Baltimore e outras duas dezenas de pesquisadores apresentaram na revista Science as conclusões da reunião.
“A promessa da chamada ‘medicina de precisão’ vem impulsionada pela sinergia entre duas poderosas tecnologias”, explicam Baltimore e seus colegas. A primeira é bem conhecida: o exponencial desenvolvimento e barateamento do sequenciamento (leitura) de DNA, que já trouxe a maior parte da informação fundamental sobre as alterações genéticas que estimulam o desenvolvimento das doenças. A segunda é o crisp.
O prêmio Nobel e os outros especialistas são explícitos em suas recomendações: assegurar que os experimentos não sejam tentados em países com regras demasiadamente frouxas; discutir em fóruns científicos, bioéticos e governamentais as implicações sociais, éticas e ambientais; promover a transparência do debate e a informação pública “sobre esta nova era da biologia humana”; formar um grupo internacional representativo de especialistas em genética, indústria, direito e bioética.
Baltimore e seus colegas creem que seja a hora de discutir os aspectos éticos e legais para promover as reformas legais pertinentes. Ou para não fazer isso, caso se determine que os riscos não compensam os benefícios.
Fonte: El País

Comentários

  1. Artigo interessante. É a Ciência evoluindo na velocidade da luz e a sociedade caminhando de gatinho.
    abraçogrande

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  2. É realmente uma técnica brilhante, se caso desse certo, traria uma GRANDE avanço para a humanidade tanto na área de medicina por conseguiriam erradicar uma serie de doenças hereditárias, quanto na área da ciência pois, tendo essa tecnologia em mãos, poderiam haver grandes avanços em diversos aspectos. A ideia, com esses objetivos, é sem duvidas muito boa, porém sempre tem o lado ganancioso das pessoas, somos humanos e temos esse lado por natureza. O crisp também poderia ser usado como arma química, no caso, isso poderia destruir uma população completamente sem chances de defesa pois ele altera o código genético. Mas esse é um risco que eu acho válido, pois os benefícios para a humanidade seriam imensos caso o Crisp fosse aceito.

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  3. Acho que toda técnica que benefície e otimize o bem estar humano é bem vinda. Precisamos de fato que Leis mais severas sejam aplicadas em prol do controle dessa tecnica. Nesse caso, especificamente, tratados, pois trata-se de uma prática que irá envolver vários países.

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  4. Acho que toda técnica que benefície e otimize o bem estar humano é bem vinda. Precisamos de fato que Leis mais severas sejam aplicadas em prol do controle dessa tecnica. Nesse caso, especificamente, tratados, pois trata-se de uma prática que irá envolver vários países.

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