Invasoras, Porém Muito Bem-Vindas

Normalmente, as espécies invasoras são mal vistas em razão do impacto negativo que causam nas espécies nativas. No caso das plantas introduzidas na ilha vulcânica de Santa Cruz, localizado no arquipélago de Galápagos, elas compõem cerca da metade da dieta alimentar das tartarugas-gigantes e parecem ser benéficas em termos nutricionais para os quelônios 


A maioria das pesquisas sobre espécies invasoras mostra o impacto negativo causado nas espécies nativas. Porém, um estudo publicado no periódico Biotropica, conduzido no arquipélago de Galápagos por Stephen Blake, da Universidade de Washintgon em St. Louis, e Fredy Cabrera, da Centro de Pesquisa Charles Darwin, mostra um resultado surpreendente.
As plantas introduzidas compõem cerca de metade da dieta das tartarugas-gigantes de Galápagos. E, o que é mais surpreendente, as invasoras parecem ser benéficas em termos nutricionais para as tartarugas e as ajudam a ficarem saudáveis.
O estudo foi conduzido na ilha de Santa Cruz, em um vulcão onde duas espécies de tartarugas-gigantes são encontradas. A ilha também é o lugar de maior concentração humana nas Galápagos. Cerca de 86% das montanhas e outras zonas úmidas foram degradadas pela agricultura ou espécies invasoras.
As plantas invasoras começaram a aumentar em 1930, quando a agricultura começou a tomar o espaço da vegetação nativa. As tartarugas-gigantes seguiam o caminho oposto. Quatro das 14 espécies (subespécies dependendo do autor) foram extintas e as 10 que restaram são consideradas vulneráveis ou ameaçadas de extinção.
Em 2009, Blake colocou GPS em duas espécies de tartarugas-gigantes de Galápagos da ilha de Santa Cruz e descobriu que os animais migram da parte baixa da ilha, quando chega o período de seca, para a parte mais alta, que permanece verde por todo o ano.
Este fato intrigou o pesquisador. Tartarugas-gigantes de Galápagos podem sobreviver por um ano sem comer e beber. Por que um animal de 250 quilos iria se deslocar para cima e para baixo em busca de comida ao invés de esperar o final da temporada de seca? A resposta estava no balanço energético dos répteis.
Durante quatro anos os cientistas seguiram as tartarugas e, durante 10 minutos, anotavam as espécies que eram escolhidas como alimento pelos quelônios e qual a parte da planta era consumida. Os resultados mostraram que as tartarugas passavam mais tempo se alimentando em espécies introduzidas do que nativas.
A veterinária do zoológico de St. Louis, Sharon Deem, era parte da equipe de pesquisa e monitorou a saúde e a nutrição dos animais. Todos os indicadores nutricionais utilizados no estudo sugerem que as espécies introduzidas têm um efeito neutro ou positivo na condição física dos animais. As espécies invasoras podem até ajudar a melhorar as condições das tartarugas-gigantes durante o período de seca.
Fonte: National Geographic Brasil (adaptado)

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