As Superbactérias Em Nosso Cotidiano

Muita gente visita parentes internados, não lava as mãos e depois utiliza o transporte público, levando bactérias de todo o tipo para todos os lugares -- sem contar a falta de tratamento de esgoto em diversas partes do país. Isso faz com que a presença de superbactérias em nosso cotidiano torne-se mais frequente.

Quando se fala em "superbactéria", é comum pensar em um micróbio que ficou mais forte, capaz de causar uma doença mais grave nas supostas vítimas. Trata-se apenas de um germe que desenvolveu um mecanismo de sobrevivência e se tornou imune às armas criadas para combatê-lo. A capacidade de causar doença não aumenta, o tratamento é que fica mais complicado.
Com o uso de cada vez mais disseminado de antibióticos, em larga escala e muitas vezes de forma incorreta, aumentou-se a pressão para que cada vez mais microrganismos com mecanismos de resistência fossem gerados. Em um mundo globalizado, em que milhares de pessoas viajam todos os dias de um canto a outro do mundo, é impossível não espalhar esses organismos. 
No fim de abril, a imprensa mundial repercutiu o fato de que uma ala do Hospital de St. Mary, em Londres, onde a a duquesa de Cambridge Kate Middleton daria à luz sua filha, herdeira do príncipe William, havia sido fechada em decorrência de um pequeno surto de superbactéria. 
Se uma instituição frequentada por um casal real pode passar por uma situação como essa, dá para ter noção do desafio enfrentado diariamente por profissionais do mundo inteiro para lidar com microrganismos multirresistentes. Estima-se que, em 2050, 10 milhões de pessoas deverão morrer por ano apenas devido a infecções desse tipo.
Há bactérias em todo lugar, o que significa que também existe o risco de haver microorganismos resistentes em muitos endereços. Em outras palavras: muita gente visita parentes internados, não lava as mãos e depois utiliza o transporte público, levando bactérias de todo o tipo para todos os lugares -- sem contar a falta de tratamento de esgoto em diversas partes do país. A maioria das pessoas não irá desenvolver nenhuma infecção, a não ser que esteja com o sistema imunológico comprometido.
Nos hospitais, o risco de contrair um microrganismo resistente é maior por vários motivos: o local é relativamente pequeno, fechado, reúne pessoas que estão com a saúde debilitada e que utilizam, com frequência, antibióticos. As bactérias ficam alojadas nas paredes e nos instrumentos, por isso é importante que haja uma desinfecção completa depois que o paciente sai, assim como é imprescindível que os profissionais de saúde lavem as mãos com frequência, conforme explicam os especialistas.
Quando um novo paciente é internado e desenvolve uma infecção, em geral os médicos são obrigados a utilizar antibióticos de amplo espectro, pois as culturas para determinar a quais substâncias a bactéria em questão é sensível levam 48 ou 72 horas para se desenvolver. É por isso que novas tecnologias em microbiologia são importantes: para acelerar o diagnóstico e permitir uma mudança de conduta em tempo hábil. A tentativa de tratamento com outros antibióticos, que não os desenvolvidos para aquele grupo de bactérias específico, nem sempre é bem-sucedida.
Nenhum hospital, por melhor que seja, está imune aos microrganismos multirresistentes, mas estratégias de controle têm se mostrado úteis para evitar surtos. A detecção de focos e a desinfecção adequada (antes que as infecções ocorram), assim como regras rígidas para garantir a correta lavagem das mãos entre os profissionais de saúde, são medidas fundamentais.
É preciso lembrar de usar a torneira ao chegar em casa, depois de usar o transporte público e, especialmente, após visitar um parente no hospital. Outra recomendação: exigir que seu médico e outros profissionais de saúde façam a higiene das mãos antes e depois de examiná-lo.
Fonte: UOL (Adaptado de "Dez coisas que você precisa saber sobre as superbactérias" )

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