Um Estudo Inédito Sobre o Gato-do-Mato

Um estudo realizado por pesquisadores e universitários do Paraná pretende levantar dados inéditos sobre o gato-do-mato (Leopardus tigrinus) dentro do Refúgio Biológico Bela Vista, área sob a  responsabilidade da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Esse é o mais completo estudo feito sobre a espécie no mundo.

Uma pesquisa inédita sobre o gato-do-mato (Leopardus tigrinus), realizada no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) nesta semana pretende levantar informações importantes sobre a espécie. Quatro professores e seis alunos do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), de Realeza (PR), sob a coordenação de profissionais da Usina Hidrelétrica de Itaipu, analisaram quatro aspectos: protocolo anestésico, avaliação ocular, auditiva e cardíaca. Esse é o mais completo estudo feito sobre a espécie no mundo.
A Itaipu mantém oito reservas e refúgios biológicos localizados no Brasil e no Paraguai. A área protegida, que inclui mata nativa e trechos de reflorestamento, soma 41.039 hectares. Os estudos relacionados à fauna ocorrem, no lado brasileiro, no Criadouro de Animais Silvestres da Itaipu Binacional (Casib), localizado no refúgio biológico Bela Vista, próximo à barragem da usina.
Lá, animais silvestres se reproduzem em cativeiro e são soltos posteriormente na faixa de proteção do lago e nos refúgios biológicos do lado brasileiro do reservatório. O Casib tem capacidade para abrigar até 300 animais. 
O trabalho foi concluído com um check-up para verificar o estado de saúde do animal. Foi analisada a saúde bucal e foram coletadas amostras de sangue para verificar o funcionamento de órgãos, como rins e fígado, além de um radiograma do tórax. Nos dois dias, foram estudados 15 exemplares de gato-do-mato, todos do plantel do refúgio. O número de espécimes permite aos pesquisadores extrapolar dados de forma estatística para toda espécie e criar parâmetros nos quatro temas estudados, que possam servir de base para futuros estudos. 
Antes do procedimento, o animal foi pesado e sedado. Para isso foi criado um protocolo de anestesia. Foi medida a dosagem do relaxante muscular, anestésico e analgésico e sua influência na pressão arterial, na frequência cardíaca e na sensibilidade do animal. 
Para se ter ideia do ineditismo da pesquisa, até antes do estudo, não existia no mundo todo informações sobre as características dos olhos do gato-do-mato. Uma das possíveis conclusões diz respeito à diferença da visão do gato-do-mato e do gato doméstico (Felis catus). A espécie estudada tem uma acuidade visual mais apurada, visto o tamanho e disposição das estruturas dentro do olho. A causa pode ser a necessidade, na vida silvestre, de caçar e se defender dos predadores.
Outra informação inédita foi uma pequena cartilagem encontrada entre os dois canais, vertical e horizontal, do ouvido do gato-do-mato, que não existe no gato doméstico. “Não podemos nem nomear esta cartilagem porque nunca vimos isso em outro animal”, diz a professora de obstetrícia e técnica cirúrgica, Fabíola Dalmolin.
Com um aparelho de videotoscopia do RBV, foi analisado o ouvido do felino. A nova estrutura foi confirmada com um posterior raio-x da cabeça. “Talvez esta cartilagem possa ter relação com a acústica, já que o gato-do-mato depende da audição para se proteger dos predadores”, teoriza.
Para o médico-veterinário Zalmir Cubas, de Itaipu, que coordenou o trabalho, a parceria com a academia é fundamental para multiplicação do conhecimento. “Nós temos estrutura e plantel dos animais, mas não somos especialistas nestas áreas. Os alunos vão produzir artigos e trabalhos; serão eles que continuarão os estudos e o compartilhamento das informações”.
Segundo Zalmir, outras pesquisas como esta podem ser feitas em espécies como a jaguatirica (Leopardus pardalis) e o gato-maracajá (Leopardus wiedii), este último, animal ameaçado de extinção. 
Fonte: Itaipu

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