A Biodiversidade Das Borboletas

A escritora equatoriana Maria Fernanda Checa é a autora do livro Fadas Aladas de Yasuní, um livro que descreve as borboletas dessa região de seu país, iniciando com lendas dos grupos indígenas, que acreditam que esses insetos são reencarnações de guerreiros caídos em combate que voltam para embelezar a vida. Outros grupos creem que são fadas da floresta.

A escritora María Fernanda Checa, equatoriana, doutoranda da Universidade da Flórida é a autora do livro Fadas Aladas de Yasuní, um livro sobre borboletas. A autora descreve as borboletas dessa região de seu país, iniciando com lendas dos grupos indígenas, que acreditam que essas belezas são reencarnações de guerreiros caídos em combate que voltam para embelezar a vida, como filhos do Sol e símbolos do amor. Outros grupos creem que são fadas da floresta.
Yasuní é um marco em biodiversidade mundial. Em suas matas foram registradas entre 1.200 a 1.400 espécies de borboletas, o que deixa a região entre as mais diversas do planeta no que tange às Lepidopteras.
A riqueza cultural regional é igualmente notável, com a presença de tribos ameaçadas e outras que se extinguiram recentemente.
Mesmo contando com uma área protegida, o Parque Nacional Yasuní sofre pressões do desenvolvimento insustentável e predatório. Em nome de um progresso percebido como devastador para quem ali vive, a região tem sido desrespeitada enquanto os serviços ambientais que a natureza presta são desprezados. A degradação agora se apresenta com consequências nefastas, mas ignoradas por quem as causou.
O livro é pioneiro na forma de apresentar as riquezas naturais e as ameaças pelas quais as borboletas agora passam, descrevendo possíveis caminhos de se reverter os riscos em oportunidades. Mas, toda a riqueza descrita com tanto cuidado está hoje ameaçada.
Das “fadas aladas” a autora relata o que vem ocorrendo na região com a exploração de petróleo, que tem levado as pessoas da região a morrer de câncer e outras doenças degenerativas, além da degradação ambiental que destrói o habitat de espécies nativas, principalmente das borboletas.
María Fernanda Checa analisa em profundidade a situação ambiental, social, econômica da região. Seu livro certamente poderia ser seu doutorado, pois tem qualidade em tudo o que apresenta com dados bem fundamentados, cálculos matemáticos minuciosos do quanto seria necessário para salvar a região e argumentos fortes de como seu pais megadiverso poderia ser modelo de um desenvolvimento sustentável e inovador.
Inicia seu livro pessoas com detalhes da vida sutil e do deslumbramento e da variedade de cores e desenhos desses insetos tão delicados, o que deixa o leitor, por mais insensível que possa ser, estarrecido. Nem as belezas desses seres descritos com tanto amor e cuidado por María Fernanda Checo têm sido capazes de deter a ganância de um modelo econômico insustentável e antiético, que passa por cima de qualquer valor, mesmo aqueles que são vitais para que a vida se perpetue na Terra.
Muito da realidade que o livro “Fadas Aladas del Yasuní” relata é comparável ao que ocorre em tantas regiões do Brasil. 
Uma quantidade grande de detalhes das borboletas é descrita por María Fernanda Checa, como mecanismos de defesa, mimetismo e até a transferência de proteínas dos machos para as fêmeas, que as necessitam na produção de ovos de suas futuras crias. 
Os detalhes da vida das borboletas são muitos. Ser borboleta é uma tarefa árdua e exige muito empenho até atingir a idade madura para voar livremente. Talvez por demandarem tantas peculiaridades de seus habitats, elas são indicadoras da qualidade dos mesmos. Suas funções ecológicas são tantas, que quando uma ou mais espécies se extinguem causam danos em cadeia aos habitats naturais onde vivem, só que sempre de forma sutil. 
Fonte: O Eco

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