O Jornalismo Científico Ainda Respira

Fadado a sumir das publicações, o jornalismo científico resiste apesar da tendência de muitos jornais eliminarem editoriais e suplementos sobre ciência com o pretexto de enxugar as redações. Segundo os especialistas no assunto, o noticiário deveria oferecer uma perspectiva crítica e uma visão bem-informada sobre o que a sociedade quer da ciência, sem se deixar levar apenas pelo deslumbramento das descobertas.

Conforme matéria publicada na edição nº 872 (15/10/2015) do Observatório da Imprensa parece que o jornalismo científico segue vivo, apesar da tendência de muitos jornais eliminarem editoriais e suplementos sobre ciência, com a finalidade de enxugar as redações. Sob o título de "A Surpreendente Expansão do Jornalismo Científico", o Observatório publicou o seguinte: "Na tentativa de enxugar as redações muitos jornais eliminaram editorias e suplementos sobre ciência, mas o que poderia configurar um revés profissional acabou se transformando num promissor filão de jornalismo especializado. O site Materia, foi criado pela jornalista espanhola, Patricia de Lis, depois de ser demitida do jornal Público e, em menos de um ano depois de lançado, já tinha 1,5 milhão de usuários únicos e acordos de republicação com 200 jornais do mundo inteiro.
Aqui no Brasil, um levantamento feito pela Universidade Federal de Minas Gerais indicou que existem entre 105 a 210 sites de jornalismo científico produzidos por jornalistas individuais ou grupos de jornalistas. Outra grande mudança no segmento foi a produção de blogs pelas grandes revistas científicas mundiais, como Nature, Lancete Science, ao mesmo tempo em que as instituições de pesquisas passaram a produzir seu próprio noticiário em suas páginas na internet.
A acelerada expansão do jornalismo científico no ecossistema informativo mundial colocou novos dilemas para os profissionais da área como, por exemplo: priorizar a divulgação de avanços científicos ou patrulhar os pesquisadores para evitar a propagação de informações falsas na área da ciência , um fenômeno que se tornou mais frequente na era da internet.
Esta e outras questões são abordadas no artigo “Momento de Transição”, publicado pela revista da Fundação de Pesquisas do Estado de São Paulo (FAPESP) do qual publicamos dois parágrafos:

Promover ou Fiscalizar?

Em 2013, a 8ª Conferência Mundial de Jornalistas de Ciência, organizada pela Federação Internacional de Jornalistas de Ciência (WFSJ, na sigla em inglês) na Finlândia, acentuou a necessidade de os jornalistas serem flexíveis, dominar as ferramentas de produção de conteúdo on-line e trabalhar mais intensamente com outros comunicadores de ciência para criar novos modelos de jornalismo científico (ver Pesquisa FAPESP nº 211). Na conferência deste ano, realizada em junho na Coreia do Sul, um dos debates tratou de qual deveria ser o papel dos jornalistas de ciência: promover a pesquisa científica ou fiscalizar o trabalho dos cientistas? Como em um tribunal, cada grupo defendia um ponto de vista e os participantes da plateia mudavam de lado à medida que se convenciam da argumentação de um ou de outro. Não se chegou a um consenso, mas a conclusão com maior número de adesões foi que “não se deve aceitar sem questionamento o que é apresentado pelos cientistas”, disse Bernardo Esteves, repórter de Ciência da revista Piauí que participou do debate.
Os pesquisadores em geral veem os jornalistas como seus porta-vozes, mas deveríamos dar mais espaço para uma discordância saudável e para uma apreciação mais crítica dos resultados de pesquisa”, observa Esteves. É a mesma posição da jornalista Susan Watts, editora de Ciência de um programa de televisão de um dos canais da BBC, do Reino Unido, demitida em novembro de 2013, quando seu cargo foi extinto. “Precisamos do jornalismo científico para pesar os valores e os vícios da ciência”, ela escreveu em abril de 2014 na Nature. Segundo ela, o noticiário deveria oferecer uma perspectiva crítica e uma visão bem-informada sobre o que a sociedade quer da ciência, sem se deixar levar apenas pelo deslumbramento das descobertas. 
A íntegra do artigo está disponível aqui.

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