Da América do Sul Para o Mundo

Segundo  pesquisadores, todas as espécies de aves viventes do planeta derivaram de ancestrais comuns provenientes da América do Sul. Combinando evolução genética e registro fósseis, um novo estudo sustenta que a expansão e a diversificação das aves atuais resultaram de dois caminhos diferentes, marcados pela deriva continental e por sucessivas mudanças climáticas. 

Um novo estudo publicado esta semana na revista Science Advances revelou que todas as aves do planeta derivaram de ancestrais comuns procedentes do subcontinente que hoje chamamos de América do Sul. Combinando evolução genética e registro fósseis, a pesquisa sustenta que a expansão e a diversificação das aves no mundo resultaram de dois caminhos diferentes, marcados pela deriva continental e por sucessivas mudanças climáticas. Além disso, o estudo estabelece que as aves começaram a sua diversificação muito antes da extinção em massa que deu fim aos dinossauros. 
Segundo os autores do estudo, a grande dificuldade em determinar a origem das aves está na distribuição irregular do registro fóssil. Em termos comparativos, há menos fósseis do período Cretáceo no que era a Gondwana, o grande bloco continental do sul que compreendia a América do sul, Antártica e Austrália, que no bloco do norte, Laurásia, formada pela união da América do Norte, Europa e Ásia. Este fato contribuiu para consolidar a tese da origem setentrional das aves. Além disso, independentemente da sua localização, a maior parte dos fósseis encontrados não são do Cretáceo e sim do Paleógeno, período em que os dinossauros já estavam extintos. 
Para chegar a essas conclusões, o pesquisador uruguaio Santiago Claramunt, do Museu Americano de História Natural (AMNH) de Nova York e o seu colega Joel Cracraft, elaboraram uma nova árvore evolutiva para as aves combinando registros fósseis e dados genéticos de 230 espécies, representando quase todas as famílias de aves atuais. De acordo com os ornitólogos, existem determinadas sequências de DNA que mudam de forma constante, porém lentamente, o que, ao comparar espécies extintas com viventes, permite obter um tipo de relógio molecular capaz de medir a divergência entre essas espécies. 
"O que fizemos neste artigo é uma estimativa da localização geográfica dos ancestrais das aves modernas, usando a árvore evolutiva juntamente com informações sobre a distribuição de aves fósseis e modernas", diz Claramunt. "O resultado é um sinal claro de que as aves modernas se originaram na América do Sul, ou pelo menos nas porções ocidentais da Gondwana, que estavam conectadas naquele tempo", acrescenta.
Isto significa que as aves atuais, desde as Palaeognathae como os avestruzes ou o extinto moa gigante, até as Neoaves, passando pelos Galloanserae, que incluem aves terrestres e aquáticas, todos elas compartilham um ancestral comum que devia voar no céu quente da América tropical.
Mais a grande problemática é a rota de expansão para o norte e o que levou as aves para a América do Norte e Eurásia. A história geológica da Terra mostra que os continentes se unem e se separam a cada 250 a 300 milhões de anos. A mais recente reunificação continental das duas Américas ocorreu há cerca de 13 milhões de anos, ou seja, muito tempo depois de as aves povoarem o hemisfério norte. Para os pesquisadores, é evidente que deve ter havido um corredor entre as duas Américas e quando a do Norte ainda estava ligada à Europa.
Um último elemento analisado é a grande diversidade de espécies de aves, mais de 10.000 catalogadas até agora. Esta diversificação não é nova, nem tampouco houve, segundo os autores do estudo, uma espécie de big bang aviar após o chamado evento K-Pg . As causas são endógenas.
"Nossos resultados revelam que a mudança climática é o grande responsável pela diversificação das aves", diz Claramunt. De acordo com o seu trabalho, quando o planeta esfria, as taxas de diversificação aumentam e o processo é invertido quando o planeta se aquece."Nós pensamos que este é o resultado da retração e fragmentação dos biomas tropicais por longos períodos de resfriamento, gerando isolamento de populações e especiação. Nós não descartamos que tenha havido algum efeito adicional ao evento de extinção que dizimou os dinossauros, mas a efeito climático é claro e explica a dinâmica evolutiva das aves desde o Cretáceo até os tempos atuais. "
Fonte: El País



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