Uma Imagem Real dos Cientistas

Artigo discute os quadrinhos Os Cientistas, tiras publicadas no jornal Correio Popular de Campinas no período de 1994 a 2002, nas quais se questionava a prática científica de modo crítico e irreverente, expondo a insegurança e as frustrações dos cientistas, além dos conflitos entre eles e da dificuldade de comunicação com outros grupos, como os jornalistas.


Recentemente publicado na Revista História, Ciências e Saúde-Manguinhos, o artigo intitulado Os cientistas em quadrinhos: humanizando as ciências, da autoria de Carlos Henrique Fioravanti, Rodrigo de Oliveira Andrade e Ivan da Costa Marques faz uma análise da imagem da ciência e dos cientistas a partir de quadrinhos publicados no jornal Correio Popular de Campinas no período de 1994 a 2002. Segundo os autores, os quadrinhos Os Cientistas, produzidos por jornalistas e pesquisadores brasileiros, apresentaram em tirinhas de jornal a prática científica de modo crítico e irreverente, expondo a insegurança e as frustrações dos cientistas, além dos conflitos entre eles e da dificuldade de comunicação com outros grupos, como os jornalistas.
"Os cientistas abriram a caixa-preta e revelaram o mundo interno da ciência. As situações descritas apresentavam algo raramente exposto: a ciência – e o espaço acadêmico – como um espaço de lutas e competição, um 'lócus de afrontamentos visando conservar ou transformar as relações de força – a posição ocupada na estrutura – entre os pesquisadores dotados de recursos diferentes, tanto aqueles científicos quanto os extracientíficos", diz o artigo escrito por dois jornalistas científicos de São Paulo e pelo professor de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da UFRJ.
De acordo com o artigo: “Raramente se questiona o mundo da ciência ou se expõem seus conflitos internos, dúvidas e incertezas. Normalmente a ciência é enaltecida e apresentada em tom triunfalista, por meio de descobertas aparentemente revolucionárias, e os cientistas, vistos como seres altruístas. Essa visão simplista baseia-se em uma concepção equivocada da ciência como um processo isento de incertezas, conflitos e interesses”.
"Os cientistas inovaram graficamente ao mesclar linguagens, apresentando situações ora em uma única cena, como nos cartuns, ora em quadros, como nas histórias em quadrinhos. Várias tiras de cena única se apoiaram em pinturas clássicas. Em uma delas, ironizando o distanciamento dos cientistas de outros grupos sociais, com base em uma pintura de Rugendas, o personagem denominado Dr. Ego anunciou uma forma de estar mais próximo do povo, sendo carregado como um antigo senhor de engenho. Outra tira, a partir de Os retirantes, de Candido Portinari (1903-1962), expressou a avidez de migrantes pobres que entraram em um laboratório e perguntaram se a ciência feita ali “serve pra gente comer?” 
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