As Conexões Cerebrais da Monogamia

Uma equipe internacional de pesquisadores norte-americanos identificou pela primeira vez as conexões que ocorrem nas áreas de recompensa do cérebro de roedores silvestres, responsáveis pelo seu comportamento monogâmico. Os animais estudados são conhecidos por ser um dos poucos mamíferos socialmente monogâmicos, ou seja,  aqueles que permanecem com o mesmo parceiro pelo resto da vida. De acordo com a equipe, durante a formação deste vínculo afetivo , o córtex pré-frontal -uma área envolvido na tomada de decisão-  ajuda a controlar as oscilações rítmicas dos neurônios no núcleo accumbens. 

Uma equipe internacional de pesquisadores, liderados pela Universidade de Emory nos Estados Unidos, analisou as conexões que ocorrem nas áreas de recompensa do cérebro de roedores silvestres da espécie Microtus ochrogaster para entender o comportamento monogâmico destes animais. 
As ratazanas-das-pradarias, como estes roedores são chamados, permanecem com o mesmo parceiro durante toda a vida. São conhecidos por ser um dos poucos mamíferos socialmente monogâmicos. Para entender como se cria esse vínculo, uma equipe de cientistas estudou os circuitos cerebrais desses animais.
O estudo, publicado esta semana na Nature, é o primeiro a mostrar como interações sociais pode ativar os sistemas de recompensa do cérebro que impulsionam o vínculo monogâmico. Eles descobriram partes do circuito corticostriatal (conhecido por controlar a capacidade dos animais de mudar seu comportamento para obter recompensas) responsáveis por comunicar ao cérebro e predizer a rapidez com que as ratazanas femininas se juntam aos seus parceiros.
Embora estudos anteriores já haviam mostrado como os hormônios ocitocina e dopamina atuam no córtex pré-frontal medial e no núcleo accumbens - o eixo central do sistema de recompensa do cérebro - para criar estas conexões emocionais, agora, a equipe identificou a atividade neuronal específica que leva a essa união. 
Para fazer isso, os pesquisadores usaram optogenética, uma técnica que utiliza a luz para conectar diferentes áreas do cérebro. Assim, eles observaram a comunicação neural entre estas duas regiões do cérebro e analisaram a atividade das fêmeas enquanto socializavam com machos por seis horas, um período que normalmente conduz ao acasalamento.
Graças a esta técnica, os cientistas  melhoraram a comunicação entre estas duas áreas cerebrais das fêmeas em um breve encontro sem acasalamento com machos. Estes animais posteriormente mostraram maior preferência por seus parceiros do que por machos estranhos quando lhes foram dada uma opção de escolha no dia seguinte.
De acordo com a equipe, durante a formação desta vínculo afetivo , o córtex pré-frontal -uma área envolvido na tomada de decisão- ajuda a controlar as oscilações rítmicas dos neurônios no núcleo accumbens. Isto sugere a existência de uma ligação funcional, com intensidade variável entre os indivíduos, a partir do local onde o cortéx forma a atividade dos neurônios no núcleo accumbens.
De acordo com o estudo, os espécimes com maiores conexões conectados mostraram comportamento de acasalamento mais rápido. Além disso, eles descobriram que o primeiro acasalamento reforçou este contexto funcional, e isto foi associado com a rapidez com que os animais se uniram subsequentemente. O próximo passo para os cientistas é saber a se oxitocina regula essa conexão e como a atividade do circuito muda a forma como o cérebro processa a informação social sobre o casal.
Para saber mais, clique nos links acima
Consulte o artigo da pesquisa:
Elizabeth A. Amadei et al. Dynamic corticostriatal activity biases social bonding in monogamous female prairie voles. Nature, 2017. DOI: 10.1038/nature22381

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