Espécies Invasoras: Inimigas da Biodiversidade

O mico-de-cheiro (foto) é um exemplo das 11 mil espécies invasoras que ameaçam a biodiversidade mundial

Nenhuma crise ambiental é tão urgente quanto a da biodiversidade. Mudanças climáticas são uma realidade. A escassez de água também. Mas um número catastrófico de espécies já estão em extinção. O ônus é moral, ambiental e econômico. Plantas e animais são essenciais para a preservação da saúde do planeta e o seu fim afeta a nossa própria espécie. Uma ameaça séria  e pouco discutida tem contribuído para a redução da biodiversidade: as espécies invasoras, aquelas levadas pelo homem para lugares onde se tornam um perigo, nem sempre percebido.
Combater as espécies invasoras é uma missão árdua. Levadas para ambientes onde não têm predadores , elas proliferam e se tornam um pesadelo para plantas e animais nativos - inclusive espécies ameaçadas de extinção. Os invasores caçam espécies nativas e competem por alimento e espaço.
É difícil controlar as espécies invasoras. Elas quase sempre são introduzidas  - inadvertidamente ou não - pelo homem. E a maioria das pessoas desconhece que aquelas plantas ou animais tão bonitos  tenham se tornado uma ameaça ambiental.
Certas espécies de primatas se tornaram uma ameaça para a fauna nativa do estado do Rio de Janeiro, mesmo aquelas supostamente protegidas por unidades de conservação. Na Reserva de Poço das Antas, próximo a Silva Jardim, um sagui proveniente o Cerrado compete com o vulnerável mico-leão-dourado, roubando um espaço que seria exclusivo desta espécie. Em Saquarema, o formigueiro-do-litoral, a quarta ave mais ameaçada de extinção da Terra, precisou da intervenção de ecólogos da Uerj para garantir a sua sobrevivência. O mico-estrela e o sagui-de-tufo-branco, dois primatas originários da Mata Atlântica e do Cerrado, são os maiores predadores do pássaro na região. A captura e a  remoção dos saguis estão sendo indispensável para a manutenção desta espécie rara de pássaro, cujo habitat é uma faixa com pouco mais de 70 km, localizada entre Búzios e Saquarema.
As espécies invasoras são uma ameaça silenciosa. Quando se adaptam a um ecossistema diferente do seu, elas se desenvolvem sem encontrar limites  à sua expansão. Ali não há, como em seu habitat, parasitas nem predadores que contenham aquela população, um desafio com que as espécies nativas precisam conviver.
Nas ilhas, onde animais e plantas estão isolados -e, portanto, menos, acostumados à competição -, as espécies nativas são mais vulneráveis. Nesses ambientes, invasores são a principal causa da redução da biodiversidade.
Um dos casos mais devastadores  é o coral-sol, espécie do Pacífico que chegou à Ilha Grande 20 anos atrás e já é encontrada até em Salvador. Sua reprodução, mais aceleradas do que a das espécies nativas, e seus hábitos alimentares deslocam outros animais dos costões. Além de virem incrustadas em navios e plataformas de petróleo, as espécies marinhas podem aportar em áreas desconhecidas misturadas à água  de lastro, usada como contrapeso em embarcações. Embora a legislação obrigue a troca desta água antes da chegada ao litoral, a medida não costuma ser seguida e, tampouco fiscalizada.
Embora sejam animais domésticos, os gatos são considerados perigosos, por terem se disseminado além da conta. Em certas localidades, é possível encontrar até 1.500 gatos por metro quadrado. Mesmo sendo doméstico, os gatos atuam como predadores em florestas, ameaçando espécies vulneráveis de aves, pois atacam por instinto.
Entre as plantas não é diferente. No Rio de Janeiro, a jaqueira é uma espécie invasora nociva para a flora e a fauna nativas. Basta conferir alguns trechos da Floresta da Tijuca e ver que a árvore não divide espaço com qualquer outra espécie. A jaqueira produz substâncias químicas que alteram a composição do solo, tornando inviável a ocupação da área por outras árvores. Quando se instala num local, atrai animais, que, até então, alimentavam-se de insetos. Esse fenômeno provoca um grande descontrole populacional.
O mico-de-cheiro , uma espécie nativa da Amazônia, se estabeleceu na Mata Atlântica, inclusive na Floresta da Tijuca. Apreendido e solto onde não devia, este primata não força o deslocamento de outras espécies, além de comer os ovos de aves ameaçadas. Na Geórgia do Sul, ilha situada a 1.500 km a leste das Ilhas Malvinas, as aves marinhas vêm sofrendo com a invasão de roedores que comem os ovos das espécies que reproduzem na região. Provenientes de navios baleeiros  e caçadores de focas, a população de ratos na ilha está atualmente na casa dos milhões.
Além do desfalque à biodiversidade, as espécies invasoras também causam estragos no bolso das principais economias do mundo. Segundo a ONU, essas espécies já provocam prejuízos de 1,4 trilhões de dólares, o equivalente a 5% do PIB global, em áreas como agricultura, comércio e turismo.

Saiba mais sobre espécies invasoras no Biorritmo:
Não Alimente os Pombos (13/04/2010)
Caramujo Pode Disseminar Doenças (02/04/2010)
De Olho nas Espécies Invasoras (02/07/2009)
Os Cruzeiros Marítimos e seus Impactos Ambientais (27/06/2009)

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