sábado, 27 de fevereiro de 2010

Como e Para que se Faz Hemodiálise?

Os pacientes que, por qualquer motivo, perderam a função renal e irreparavelmente atingiram a fase terminal da doença renal têm, hoje, três métodos de tratamento, que substituem as funções do rim: a diálise peritoneal, a hemodiálise e o transplante renal. Na hemodiálise, é usada uma membrana dialisadora, formada por um conjunto de tubos finos, chamados de filtros capilares.


Procedimento

Para realizar a hemodiálise, é necessário fazer passar o sangue pelo filtro capilar. Para isso, é fundamental ter um vaso resistente e suficientemente acessível que permita ser puncionado três vezes por semana com agulhas especiais. O vaso sangüíneo com essas características é obtido através de uma fístula artéria venosa (FAV). A FAV é feita por um cirurgião vascular unindo uma veia e uma artéria superficial do braço de modo a permitir um fluxo de sangue superior a 250 ml/minuto. Esse fluxo de sangue abundante passa pelo filtro capilar durante 4 horas, retirando tudo o que é indesejável. O rim artificial é uma máquina que controla a pressão do filtro, a velocidade e o volume de sangue que passam pelo capilar e o volume e a qualidade do líquido que banha o filtro.
Para realizar uma hemodiálise de bom padrão é necessário uma fístula artério-venosa com bom fluxo, um local com condições hospitalares; maquinaria adequada e assistência médica permanente.
Tendo essas condições, o paciente poderá realizar hemodiálise por muitos anos. A hemodiálise tem a capacidade de filtração igual ao rim humano, dessa forma, uma hora de hemodiálise equivale a uma hora de funcionamento do rim normal.
A diferença entre a diálise e o rim normal é que na diálise realizamos três sessões de quatro horas, o equivalente a 12 horas semanais. Um rim normal trabalha na limpeza do organismo 24 horas por dia, sete dias da semana, perfazendo um total de 168 horas semanais. Portanto, o tratamento com rim artificial deixa o paciente 156 horas semanais sem filtração (168 -12=156).
Apesar de realizar somente 12 horas semanais de diálise, já está provado que uma pessoa pode viver bem, com boa qualidade de vida e trabalhar sem problemas.

Complicações

A hemodiálise tem seus riscos como qualquer tipo de tratamento e apresenta complicações que devem ser evitadas como: hipertensão arterial, anemia severa, descalcificação, desnutrição, hepatite, aumento do peso por excesso de água ingerida e complicações das doenças que o paciente é portador. Por isso, os médicos controlam e tratam os problemas clínicos (edema, pressão alta, tosse, falta de ar, anemia) em cada sessão de hemodiálise.
Uma vez por mês solicitam exames de sangue para ver como estão as taxas de uréia, fósforo e ácido úrico e observam o estado dos ossos para evitar a descalcificação. Orientam a dieta controlando as calorias, o sal e as proteínas para o controle da nutrição.
O número de pacientes que fazem diálise peritoneal é da ordem de 2 a 5 % dos renais crônicos e o restante faz hemodiálise. No Brasil, atualmente, existem mais de 35.000 pacientes fazendo hemodiálise e somente 10% são transplantados anualmente, por isso a lista de espera é muito grande.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Golfinhos do RJ: Um Símbolo Ameaçado

Presente no brasão da cidade do Rio, tal a quantidade que havia, o boto --chamado de golfinho pelos leigos-- tende a desaparecer da baía de Guanabara antes da metade do século. De uma população de alguns milhares há até 50 anos, só restaram 40, aponta monitoramento inédito do Laboratório Maqua (Mamíferos Aquáticos) da Faculdade de Oceanografia da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).
O laboratório também  investiga o caminho dos poluentes na cadeia alimentar dos animais das três baías do Estado - Guanabara, Sepetiba e Ilha Grande, além de capacitar profissionais de alto padrão em monitoramento ambiental.
O laboratório é o único da região Sudeste onde se tem a possibilidade de receber o corpo de um mamífero e fazer as análises que darão todo o perfil do animal estudado.
Criado em 1992 por estudantes de oceanografia, o projeto Maqua já recolheu e estudou mais de 300 botos-cinza da Baía de Guanabara.
Um mal silencioso ameaça os golfinhos da Baía de Guanabara. Resíduos de tintas, eletrônicos, pesticidas e compostos industriais - acumulados há anos nessas águas - são predadores lentos, mas implacáveis. Estudos recentes do Laboratório MAQUA, em parceria com o Instituto de Biofísica da UFRJ, mostram que os apenas 50 botos-cinza que sobrevivem atualmente na baía podem estar com a saúde seriamente comprometida. E as conseqüências disso deverão ser vistas nos próximos anos.
De acordo com o coordenador do Laboratório da Uerj, o doutor em Biofísica José Lailson Brito Jr, estes resíduos prejudicam o sistema imunológico, hormonal e diminuem a capacidade de reprodução, além de causarem anomalias ósseas. Análises do tecido adiposo dos botos da Baía de Guanabara encontraram altas concentrações dos pesticidas DDT e HCB e do composto industrial PCB, conhecido como ascarel.
- O ascarel (óleo usado como isolante em geradores e capacitores) e o pesticida DDT (responsável pela revolução verde na agricultura) foram proibidos, há muitos anos, mas continuam presentes no ambiente. Altas concentrações deles foram encontradas em golfinhos da Baía de Guanabara, como se verifica também em áreas extremamente industrializadas do hemisfério norte, como Mar do Norte e o Mar do Japão - disse Lailson.
Os golfinhos não vão morrer de repente, não haverá uma mortandade repentina. Estes resíduos dificultam que a reprodução deles aconteça de maneira normal
Outra novíssima pesquisa realizada pelo MAQUA mostra que compostos bromados (usados como retardantes de chama e existentes em peças de computador, sistemas eletrônicos e em estofamentos); compostos de estanho (usados em antigas tintas para embarcação, já proibidas) e compostos perfluorados (existentes no teflon) foram também encontrados em grandes concentrações no tecido adiposo dos botos-cinzas da Baía de Guanabara. Estes resíduos também alteram o sistema imunológico e hormonal desses animais.
- Os golfinhos não vão morrer de repente, não haverá uma mortandade repentina. Estes resíduos dificultam que a reprodução deles aconteça de maneira normal - disse Lailson.
Fato que sucinta grande preocupação, já que os botos que vivem em média 30 anos e estão com saúde debilitada, podem ter sérias dificuldades de deixar descendentes.
Os últimos levantamentos de população de botos na Baía de Guanabara, feito pelo grupo MAQUA, mostram uma tendência de queda. Em 2005, havia 50 golfinhos; em 2003, 55 botos e, em 99, 70 botos. Antes da atuação do grupo MAQUA na Baía de Guanabara, não existiam dados confiáveis. Mas seguindo os relatos de pessoas mais idosas e comparando com baías semelhantes, existiam no mínimo 500 golfinhos na Baía de Guanabara nas primeiras décadas do século XX. Além dos resíduos contaminantes, estes animais vêm sofrendo com a degradação ambiental, diminuição dos alimentos, operações portuárias e com a perda do espelho d´água.
Morador da Ilha de Paquetá, há 50 anos, Francisco Viana, 74 anos, que também já trabalhou como pescador, sente saudades do belo espetáculo que os golfinhos proporcionavam na Baía de Guanabara.
- Eles pulavam da água para comer tainhas. Há 40 anos, era muito comum ver grupos de até 50 golfinhos, acompanhado uma embarcação. Hoje está cada vez mais raro ver um golfinho saltar da água - lembrou.
O professor Lailson defende o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), que já consumiu R$1,6 bilhões.
- É fundamental despoluir a baía, mas certos resíduos que vêm dos rios desta área muito industrializada, têm o controle muito difícil, porque pouco se sabe sobre as conseqüências deles nos organismos. Alguns podem ser proibidos no futuro, mas agora estão sendo despejados no mar.
Lailson se preocupa também com as outras baías da região sudeste. O boto-cinza é a espécie de golfinho que habita as baias e, por isso, sofre mais as conseqüências da industrialização e da ocupação desordenada das cidades.
O crescimento econômico do Brasil pode se transformar em ameaça às baias e aos golfinho que nelas vivem. Nos golfinhos da Baía de Sepetiba, já se verifica uma concentração de resíduos preocupante e até nos da Ilha Grande, em menor grau, também se vê concentração.

Fontes: Folha On Line e Portais G1 e R7

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Genética: Ascensão e Queda da Eugenia

Hoje em dia, eugenia é uma palavra malvista, associada a racistas e nazistas, e traz à mente uma fase da genética que talvez fosse melhor esquecer. Contudo, é importante reconhecer que, nos últimos anos do século XIX e no início do século XX, ela não era tida como infame; pelo contrário, muitos viam a eugenia como uma possibilidade genuína para melhorar não apenas a sociedade como um todo mas também a sorte dos indivíduos dentro da sociedade.
O termo eugenia, que significa literalmente, “de boa origem” foi introduzido em 1883 por Francis Galton, primo e amigo de Darwin. O termo surgiu para descrever a aplicação a seres humanos do princípio básico da propagação agrícola, mas com o tempo passou a denotar “evolução humana controlada”. Os eugenistas acreditavam que, tomando decisões conscientes sobre quem deve ou não ter filhos, eles seriam capazes de impedir a erupção da chamada “crise eugênica”, precipitada na imaginação vitoriana pela alta taxa de reprodução da ralé inferior associada às famílias caracteristicamente menores das classes médias superiores. Galton argumentava que seria possível “aprimorar” a estirpe humana mediante a procriação preferencial dos indivíduos dotados e impedindo os menos dotados de se reproduzir.
Se Galton pregava o que veio a ser conhecido como “eugenia positiva”, incentivando pessoas com genes superiores a ter filhos, o movimento eugênico americano preferiu voltar-se para a “eugenia negativa”, ou seja, impedir as pessoas geneticamente inferiores de procriar. O objetivo de ambos os programas era basicamente o mesmo -melhorar a linhagem genética humana -, mas a s duas abordagens não poderiam ser mais diferentes. O enfoque americano de eliminar os genes ruins, em oposição a aumentar os genes bons, decorreu de alguns estudos influentes de “degeneração” e “mente fraca”- dois termos característicos da obsessão do país com a deterioração genética.
Na tentativa de impedir que pessoas “erradas” tivessem filhos, o movimento eugênico nos Estados Unidos fez promulgar em 1907, no estado de Indiana, a primeira lei de esterilização compulsória, autorizando o procedimento em “criminosos, idiotas, estupradores e imbecis” comprovados. Com o tempo, 30 estados americanos chegaram a aprovar legislação similar. Em 1941, cerca de 60 mil pessoas haviam sido esterilizadas nos E.U.A. , metade delas na Califórnia. A esterilização também foi adotada com convicção fora dos estados Unidos – e não apenas na Alemanha nazista: a Suíça e os países escandinavos promulgaram leis semelhantes.
Racismo não é algo implícito em eugenia - genes bons, aqueles que os eugenistas buscam promover, podem em princípio, pertencer a pessoas de qualquer raça. Porém, a começar por Galton, cujo relato de sua expedição à África confirmara preconceitos sobre “raças inferiores”, os praticantes mais proeminentes da eugenia tendiam a ser racistas que usavam a teoria eugênica para justificar “cientificamente” seus pontos de vista racista.
Mein kampf, o livro de Hitler, é saturado de cantilenas racistas pseudocientíficas derivadas de antigas pretensões alemãs de superioridade racial e de alguns aspectos do movimento eugênico americano. Pouco depois de assumirem o poder em 1933, os nazistas aprovaram uma abrangente lei de esterilização, explicitamente baseada no modelo americano. Em 3 anos, 225 mil pessoas foram esterilizadas. A eugenia positiva, o incentivo para que as pessoas “certas” tenham filhos, também prosperou na Alemanha nazista, onde “certo” significava ariano. Os anúncios feitos no comício de Nuremberg em 1935 incluía uma “ lei para proteger o sangue alemão e a honra alemã”, que proibia o casamento entre alemães e judeus , e até mesmo “relações sexuais extraconjugais entre judeus e cidadãos de sangue alemão ou aparentado”.
A eugenia acabou se revelando uma tragédia para a humanidade. Também mostrou ser um desastre para a incipiente ciência da genética, que não conseguiu escapar da contaminação. A eugenia perdera a credibilidade na comunidade científica muito antes dos nazistas se apropriarem dela para seus fins repulsivos. A ciência que a escorava era fictícia e os programas sociais desenvolvidos a partir dela foram absolutamente repreensíveis. Percebendo que as metas da eugenia não eram cientificamente exeqüíveis, os geneticistas tinham abandonado havia muito tempo a grandiosa busca dos padrões hereditários das características comportamentais humanas e agora se concentravam no gene e na sua atuação nas células.

Extraído do primeiro capítulo do livro DNA: O segredo da vida de James D. Watson, intitulado “Os primórdios da genética: de Mendel a Hitler”

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Grão-de-Bico Contra a Depressão?

Há alguns anos, pesquisadores israelenses descobriram o motivo da sensação de bem-estar - ou até mesmo de felicidade - experimentada por aquelas pessoas que comiam grão-de-bico e derivados (o homus, uma pasta feita a partir do grão, por exemplo). A causa dessa sensação é um aminoácido existente na composição do grão-de-bico chamado triptofano. Ingerido em grande quantidade, o triptofano produz serotonina, uma substância responsável pela sensação de bem-estar.
Segundo os estudiosos, o grão-de-bico possui o mesmo efeito que o chocolate na produção de serotonina, uma vez que ambos possuem triptofano em sua composição. Porém, o chocolate vem acompanhado de gorduras e carboidratos não muito recomendados em termos de saúde, o que não acontece com o grão-de-bico. Por isso, muitos nutricionistas estão aconselhando uma boa salada de grão-de-bico como tratamento para alguns casos de depressão. Além dos efeitos benéficos sobre o sistema nervoso central, a ingestão de grão-de-bico pelas mulheres favorece a ovulação, fazendo com que fiquem grávidas com maior rapidez.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mutação e Câncer

Diversos estudos buscam entender melhor o câncer e descobrir novas formas de tratar e prevenir essa doença, que hoje mata por ano mais de 7 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, está em andamento um trabalho que vai avaliar o impacto de uma alteração genética específica na incidência de câncer na população brasileira. Em entrevista a Fred Furtado do Estúdio CH, a médica e geneticista Patricia Ashton-Prolla, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) explicou a relação do gene TP53 com o câncer. Segundo ela, esse gene é muito importante em vários processos do nosso organismo, principalmente na proteção contra tumores. Alterações nessa parte do material genético estão presentes na grande maioria dos cânceres conhecidos atualmente, como os de mama (foto), cérebro, pulmão e intestino. Pessoas que já nascem com mutação nesse gene têm uma doença genética hereditária responsável por uma predisposição muito maior para desenvolver câncer ao longo da vida.
Segundo a geneticista, estudos apontam que a incidência de mutações no gene TP53 na população brasileira pode ser maior do que a estimada para a população mundial. Diante desse quadro, sua equipe, em colaboração com o Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, e a Divisão de Genética do Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, está começando a estudar a frequência de uma mutação específica nesse gene na população do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, estados com as maiores taxas de ocorrência de praticamente todos os tumores no Brasil.
Além de mostrar como será realizada essa avaliação, Ashton-Prolla falou sobre as previsões para a obtenção dos primeiros resultados do estudo, que busca compreender melhor o risco que essa mutação no gene TP53 gera para vários tipos de câncer.

Ouça na íntegra a entrevista acessando o site da Ciência Hoje On-Line pelo link e clicando na matéria "Mutação e Câncer"

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Curando a Ressaca


Sim, é lenda que banho frio, café forte e “tomar um ar” curam a bebedeira. Na verdade, os cuidados para se evitar os estragos começam antes da farra. Por isso, não beba com o estômago vazio e opte por comidas leves e refeições em pequenas porções. De preferência, coma a cada 3 horas.
Além disso, seja estratégico, mas sem exagero: alimentos ricos em carboidratos e gordura retardam a absorção de álcool pelo organismo. Veja bem, retardam, mas não evitam a embriaguez.
Outra dica para aliviar os efeitos do álcool são alimentos ricos em cisteína, como o ovo, que ajuda o organismo a metabolizar o acetaldeído, a substância tóxica resultante da quebra da molécula de álcool no fígado. Tomar água ou sucos durante eantes de começar a beber hidrata o organismo e ajuda a evitar a ressaca pesada no dia seguinte. A recomendação é intercalar os líquidos. Uma boa proporção é a ingestão de um copo de bebida não alcoólica para cada copo de álcool.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ensino Médio Público: Onde Estão os Alunos?

Segundo a professora Anita Handfas, do grupo de pesquisa sobre trabalho, formação humana e políticas públicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (U.F.R.J), mais de 86% dos estudantes matriculados em 2006 não concluíram o ensino médio no prazo previsto, em 2008. A pesquisa revela que dos 591.754 estudantes que entraram no 1º ano da rede estadual de ensino em 2006, apenas 81.583 se graduaram em 2008, número que representa 13 % dos que se matricularam Os 510.171 alunos que ficaram no meio do caminho foram reprovados, ficaram longe da escola por um tempo ou a abandonaram de vez. O estudo revela também que de 2007 para 2008, o deficit entre matriculados e concluintes aumentou 2%.
Em entrevista ao Jornal Destak (publicada na edição de 01/02/2010), a especialista disse que várias razões explicam o crescimento deste número. Na maioria dos casos, a evasão escolar ocorre entre alunos pobres, que precisam trabalhar para complementar a renda da família. A gravidez precoce das alunas é também apontada como um fator da evasão escolar. Outro fator levantado pela pesquisadora é que muitos estudantes interrompem o ensino fundamental, prejudicando a continuidade do processo educativo e, quando entram no ensino médio, têm dificuldades no aprendizado.
A professora lembra que esses problemas ultrapassam os muros da escola – são também problemas sociais. Uma mudança curricular que tornasse a formação mais humana e integral poderia atrair os estudantes, segundo ela.
O baixo número de concluintes do ensino médio confirma a perspectiva dos alunos - 95% não sabem se vão concluir o curso, de acordo com uma pesquisa divulgada pela Secretaria Estadual de Educação (RJ) com mais de 4 mil jovens. Na capital, especialmente, as taxas de abandono e reprovação, relacionadas ao déficit entre matriculados e concluintes são altas.
A Secretaria Estadual de Educação disse buscar a informatização do ensino para estimular os alunos, equipando escolas com computadores e incentivando professores a usar recursos tecnológicos nas aulas. Será que só isso basta? Você, professor, educador, pedagogo pode dar a sua opinião, clicando em comentários.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Testes Genéticos Preditivos

Atualmente, a análise de DNA permite que se constate o risco de desenvolvimento de uma centena de doenças. No Brasil, há cerca de 20 centros especializados, entre hospitais e laboratórios, localizados nas principais capitais. O preço de um teste genético preditivo varia de 600 a 15 mil reais, conforme a complexidade do processo. O controle sobre uma doença de origem genética varia muito. No caso de enfermidades como obesidade, diabetes e colesterol alto, a genética influencia, mas não as determina. O peso do fator ambiental é muito maior. Com mudanças no estilo de vida, é possível impedir a manifestação dos genes associados a elas. Há, no entanto, os casos em que a genética ou é uma sentença inapelável de desenvolvimento de uma doença como a doença de Huntington, um distúrbio neurológico que compromete os movimentos do corpo até a paralisia, ou é o principal fator de risco para o aparecimento de uma série de moléstias, sobretudo o câncer.
Os exames genéticos na requerem nenhum tipo de preparo por parte do paciente para serem realizados e bastam 10 ml de sangue para análise - o equivalente à quantidade necessária para um hemograma. No entanto, devido à sua complexidade, o resultado demora de um a dois meses para sair. A amostra de sangue vai para uma centrífuga, em que as células brancas são separadas das células vermelhas (as células vermelhas são descartadas, pois elas não contêm DNA). Mediante o uso de substâncias especiais e mais uma centrifugação, o DNA é isolado no fundo do tubo de ensaio e é submetido ao processo chamado PCR (sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase). Além de identificar o trecho de DNA no qual está o gene estudado, esta técnica da biologia molecular copia tal trecho milhões de vezes, de modo a facilitar e garantir a precisão da análise do material. Os milhões de cópias do trecho do DNA passam por um seqüenciador automático, uma máquina que o compara com um modelo-padrão de um gene normal. Com base na comparação, um programa de computador identifica se o gene está alterado.
Segundo um estudo coordenado pela neurocientista Iscia Cendes, da Unicamp, a maioria das pessoas não está preparada para enfrentar um teste preditivo. De cada 10 pacientes com histórico familiar de doenças genéticas incuráveis que chegam à Unicamp com tal objetivo, 7 desistem. E 30% das desistências são incentivadas pelos próprios profissionais de saúde. O motivo é a falta de estrutura psicológica para suportar o eventual baque de um resultado positivo. Toda pessoa que se submete a um teste genético preditivo passa obrigatoriamente por aconselhamento com médico geneticista, psicólogos e assistentes sociais. Os profissionais avaliam a capacidade de ela lidar com um resultado positivo e apresentam as conseqüências de tal notícia. A discussão em torno do uso do exame genético para determinar o risco de doenças intratáveis e incuráveis divide os especialistas. A geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo, por exemplo, é contra. Diz ela: “Identificar numa pessoa jovem saudável, a existência de uma alteração genética que pode provocar doença aos 40, 50 anos, sem que nada possa ser feito a respeito, parece-me absolutamente desaconselhável. Nessa circunstância, os testes preditivos servem apenas para antecipar o sofrimento”.



* Postagem elaborada com base na reportagem da Revista Veja intitulada “O Testamento Dentro de Cada Um” de 25/11/09